31 de julho de 2025
Vendas

Vendas do Dia das Crianças devem crescer 1,1% e alcançar R$ 9,96 bilhões, estima CNC

Apesar da expectativa de crescimento, o aumento nas vendas poderia ser mais expressivo se não fosse o atual cenário de juros elevados

Por Redação
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Com os juros altos, o crédito fica mais caro - Foto: Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

As vendas do comércio para o Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, devem movimentar R$ 9,96 bilhões neste ano uma alta de 1,1% em relação a 2024, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Se confirmada, será a melhor marca para a data nos últimos 12 anos, ficando atrás apenas do resultado de 2014 (R$ 10,5 bilhões, já corrigido pela inflação).

A data continua sendo a terceira mais importante para o varejo, atrás apenas do Natal (R$ 72,8 bilhões projetados para 2024) e do Dia das Mães (R$ 14,5 bilhões em 2025).

Setores que mais vão vender

A maior fatia das vendas deve ficar com o setor de vestuário, calçados e acessórios, que concentrará R$ 2,71 bilhões. Em seguida aparecem:

Eletroeletrônicos e brinquedos – R$ 2,66 bilhões

Farmácias, perfumarias e cosméticos – R$ 2,15 bilhões

Móveis e eletrodomésticos – R$ 1,29 bilhão

Hiper e supermercados – R$ 690 milhões

Outros segmentos – R$ 45 milhões

Juros altos freiam desempenho maior

Apesar da expectativa de crescimento, o aumento nas vendas poderia ser mais expressivo se não fosse o atual cenário de juros elevados e inflação persistente, explica o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes.

“A inflação ainda está acima da meta, e os juros estão em um patamar que desestimula o consumo. Isso obriga o consumidor a priorizar o essencial, prejudicando produtos financiados”, afirma.

A taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano, segundo o Banco Central, que a mantém nesse nível para conter a inflação, atualmente em 5,13% nos 12 meses até agosto, acima do teto da meta (4,5%).

Com os juros altos, o crédito fica mais caro: a taxa média para o consumidor chegou a 57,65% ao ano em julho, maior nível para o mês desde 2017. A consequência direta é o aumento da inadimplência: 30,4% das famílias estão com contas em atraso, o maior índice desde o início da série histórica da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), iniciada em 2010.

Inflação dos produtos infantis pesa no bolso

A CNC também aponta que a inflação média dos produtos mais procurados para o Dia das Crianças foi de 8,5%, acima do IPCA geral no período. Destaque para os seguintes aumentos:

Chocolates – 24,7%

Doces – 13,9%

Lanches – 10,9%

Cinema, teatro e shows infantis – 10,3%

O economista explica que o forte aumento no preço do chocolate está relacionado à alta do cacau, uma commodity com cotação internacional.

Já itens tradicionais da data, como brinquedos (4,1%) e roupas infantis (3,3%), tiveram reajustes abaixo da média da inflação.

“Mesmo com inflação e crédito caro, o Dia das Crianças continua sendo uma das datas mais relevantes para o comércio. Vale a pena o consumidor pesquisar preços, especialmente nos itens mais afetados”, recomenda Bentes.