TRF-2 mantém prisão de ex-deputado TH Joias e mais 13 acusados de ligação com o Comando Vermelho
Operação Zargun investiga esquema de armas, drogas e equipamentos antidrones para a facção; movimentação financeira do casal ultrapassou R$ 13 milhões em dois anos
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A 1ª Seção Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) decidiu, por unanimidade, manter a prisão do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, e outros 13 investigados presos na Operação Zargun. A deflagração, realizada na semana passada, desarticulou uma rede suspeita de fornecer armas, negociar drogas e adquirir equipamentos antidrones para o Comando Vermelho.
TH Joias, ex-membro do MDB, é apontado pelas investigações como intermediário direto na compra e venda de armamento pesado, incluindo fuzis, para a facção criminosa. Ele mantinha ligações com líderes do tráfico em comunidades como Complexo do Alemão, Maré e Parada de Lucas. O ex-parlamentar foi detido em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca.
Em sua decisão, o desembargador federal Macario Neto destacou as movimentações financeiras do casal, que totalizaram mais de R$ 13 milhões entre 2021 e 2023. As contas bancárias de Jessica de Oliveira Lima, mulher de TH Joias, concentraram a maior parte dos valores, com movimentações individuais entre R$ 440 mil e R$ 1,9 milhão. O relator afirmou que as instituições financeiras identificaram operações incompatíveis com a capacidade econômica declarada, incluindo evasão rápida de valores, depósitos fragmentados e uso de terminais de autoatendimento para ocultar a origem dos recursos.
O casal utilizava empresas como TH Joias, Açougue BR e Somar Ateliê para mascarar transferências ilícitas. A soma dos créditos movimentados por Jessica ultrapassou R$ 8,1 milhões no período.
Entre os outros presos estão o ex-secretário estadual de Esportes e advogado Alessandro Pitombeira Carracena; Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão; o delegado federal Gustavo Steel; e cinco policiais militares do Rio, alguns dos quais prestavam serviço na Assembleia Legislativa (Alerj).
Devido à gravidade dos crimes e ao alto poder de articulação dos investigados, o desembargador determinou que TH Joias e outros cinco acusados – incluindo Luciano Martiniano da Silva, Gabriel Dias de Oliveira, Luiz Eduardo Cunha Gonçalves (Dudu), o delegado Gustavo Steel e o PM Rodrigo da Costa Oliveira – sejam encaminhados para o sistema penitenciário federal de segurança máxima. A medida visa impedir interferências no andamento das investigações e na administração da Justiça.