31 de julho de 2025
denúncia

Esquema bilionário, corrupção e dano ambiental: ex-mulher expõe líder alagoano de quadrilha de mineração em MG

Líder do esquema armazenava dólares em apartamento e comprava imóveis perto de juízas; empresa movimentou R$ 4 bi em 5 anos enquanto comunidades sofriam com falta d'água

Por Redação
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Denúncia foi feita no programa Fantástico desse domingo (21) - Foto: Reprodução/TV Globo

Um complexo esquema de mineração ilegal e corrupção em Minas Gerais foi desmantelado pela Polícia Federal, revelando operações bilionárias que envolviam empresários, servidores públicos e políticos. De acordo com depoimento da ex-mulher do líder do grupo, o alagoano Alan Cavalcante do Nascimento, o criminoso mantinha US$ 10 milhões em malas escondidas em um apartamento em Alagoas. "Ele é um psicopata que está tratando tudo isso de caso pensado", declarou a testemunha ao Fantástico no último domingo (21).

A investigação aponta que Alan atuava em conjunto com o ex-deputado estadual João Alberto Paixão Lages e o especialista em mineração Helder Adriano de Freitas para obter licenças irregulares na Serra do Curral.

Entre as estratégias do grupo estava a compra de imóveis em prédios onde residiam juízas responsáveis por processos contra eles, além de tentativas de aproximação com a então secretária de Meio Ambiente de Minas Gerais, Marília Carvalho de Melo, incluindo o uso de crianças para criar vínculos: “Ele tentou, eu me aproximar dos filhos, né? Brincar com ele e tal. E ele falou: ‘Se aproxima dele e tal, para a gente criar um relacionamento bom com ela’.”

A empresa Fleurs Global, identificada como núcleo financeiro da organização, movimentou mais de R$ 4 bilhões em cinco anos, enquanto comunidades como Botafogo, em Ouro Preto, enfrentavam escassez de água e danos ambientais. Em áudios, Alan ironizava: "Pela quantidade de rejeito que a gente tem e que vai gerar ao longo dos anos, dá para colocar piso em Belo Horizonte toda".

Os três principais acusados foram transferidos para o presídio federal de segurança máxima em Campo Grande, marcando a primeira vez que presos por crimes ambientais são encaminhados a uma penitenciária federal.