Política

    Governo estima que 35,9% das exportações serão afetadas por tarifas dos EUA

    Alckmin anuncia plano emergencial para setores vulneráveis e busca ampliar exceções à medida americana

    há 28 dias
    Governo estima que 35,9% das exportações serão afetadas por tarifas dos EUA

    O governo brasileiro estima que 35,9% das exportações do país serão impactadas pelas tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos, mesmo com a exclusão de cerca de 700 produtos da lista original. A informação foi divulgada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante entrevista ao programa Mais Você nesta quinta-feira (31). Segundo ele, o plano de ação do governo está praticamente pronto e terá como foco principal a preservação de empregos e da produção nos setores mais afetados.


    Alckmin explicou que os impactos serão diferenciados conforme o perfil de cada setor exportador. "Às vezes você tem um setor que 90% dele vende para o mercado interno e exporta apenas 10%. Nesse caso, ele é menos atingido. Por outro lado, há setores que exportam metade da produção, sendo 70% para os EUA - esses serão muito afetados", detalhou. Entre os produtos que permanecem sujeitos às tarifas completas estão café, frutas e carnes, enquanto itens como suco de laranja, minérios e aeronaves civis ficaram de fora da medida.


    O plano do governo se baseia em três eixos principais: intensificar as negociações diplomáticas para ampliar a lista de exceções, buscar novos mercados internacionais e oferecer apoio direto aos setores mais vulneráveis. Alckmin mencionou especificamente a intenção de incluir manga e carne bovina na lista de produtos isentos, além de destacar a importância dos acordos comerciais recentes, como o firmado entre Mercosul e União Europeia, que deve entrar em vigor ainda este ano. "O Brasil tem 2% do PIB mundial, o que significa que 98% do comércio está lá fora. Precisamos correr atrás desses mercados", afirmou.


    Paralelamente às ações comerciais, Alckmin reforçou a posição do governo em defesa da soberania nacional, criticando o que classificou como interferência dos EUA em assuntos internos brasileiros. Ele lembrou que o presidente Lula se reuniu com ministros do STF na quarta-feira (30) e que foi preparado um documento reafirmando a separação entre os Poderes no país. "Não é possível um poder interferir em outro. Isso vai contra a democracia e o Estado de Direito", declarou, fazendo analogia com uma hipotética retaliação brasileira a decisões judiciais americanas.


    O vice-presidente garantiu que nenhum setor produtivo ficará desamparado, embora tenha evitado detalhar as medidas concretas do plano governamental, que ainda aguarda aprovação final do presidente Lula. "Vamos defender os 35,9% das exportações afetadas, preservar empregos e buscar alternativas de mercado", resumiu Alckmin, acrescentando que o governo mantém diálogo tanto com autoridades norte-americanas quanto com representantes de grandes empresas de tecnologia. Enquanto o plano federal não é anunciado, vários estados já implementaram suas próprias medidas de apoio aos exportadores locais, incluindo linhas de crédito especiais e flexibilização tributária.


    Foto: Cadu Gomes/VPR

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