O secretário do Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, anunciou nesta segunda-feira (28) que o governo norte-americano está reconsiderando a aplicação de tarifas de 50% sobre produtos como café e cacau, implementadas durante a administração Trump para corrigir distorções comerciais. Em declaração à CNBC, Lutnick explicou que bens que não podem ser produzidos em solo americano poderão ser isentos da taxação, o que pode beneficiar exportadores brasileiros desses commodities.
Contudo, o secretário alertou que as novas tarifas sobre produtos farmacêuticos serão anunciadas nas próximas duas semanas e serão "massivas" para empresas que não possuem fábricas nos EUA. Lutnick manteve o prazo de 1º de agosto para implementação geral das medidas, reforçando a urgência nas negociações comerciais. "O preço para fazer negócios com os EUA está claro", afirmou, lembrando que a decisão final sobre isenções caberá ao presidente Trump.
Sobre os acordos comerciais, Lutnick destacou a velocidade incomum das negociações na atual gestão, que busca resultados imediatos em processos que tradicionalmente levam décadas. Ele citou como exemplo as conversas com a União Europeia para eliminar impostos sobre serviços digitais, celebrando os avanços, mas exigindo abertura total dos mercados para um comércio equilibrado.
Para o Brasil, a possível isenção do café e cacau representa um alívio para setores que movimentam US$ 5 bilhões anuais em exportações. Especialistas alertam, porém, que a manutenção das tarifas sobre outros produtos e o anúncio iminente sobre farmacêuticos mantêm a pressão sobre a balança comercial. O governo brasileiro acompanha as tratativas, enquanto exportadores aguardam definições que impactarão diretamente a economia do estado.
Foto: World Economic Forum