O Brasil intensificou os esforços diplomáticos para evitar a entrada em vigor do aumento de 50% nas tarifas sobre produtos exportados para os EUA, imposto pelo governo Donald Trump, que começa a valer nesta sexta-feira (1º). Enquanto o chanceler Mauro Vieira busca negociações em Nova York, uma comitiva de oito senadores tenta sensibilizar empresários e congressistas em Washington D.C.
Mauro Vieira está em Nova York para a conferência da ONU sobre Gaza, mas também se colocou à disposição para negociar com representantes de Trump. Até agora, não houve retorno da Casa Branca, deixando o Brasil em suspense.
A comitiva do Senado (foto), liderada por Nelsinho Trad (PSD-MS), reuniu-se com a Câmara de Comércio Brasil-EUA, que sugeriu uma carta à Casa Branca pedindo a suspensão das tarifas. No entanto, o clima não é otimista:
🔹 Empresários norte-americanos temem impactos negativos no comércio bilateral.
🔹 Eduardo Bolsonaro (PL-SP) estaria usando sua influência em Washington para boicotar as negociações, segundo relatos da comitiva.
Lula aberto ao diálogo, mas crítico aos EUA
O presidente Lula afirmou estar disposto a conversar com Trump, mas criticou:
✅ Interesse dos EUA em explorar terras raras no Brasil
✅ Pressões políticas ligadas a processos contra Jair Bolsonaro no STF
Países que já fecharam acordos com os EUA
Enquanto o Brasil ainda busca um entendimento, outras nações já negociaram condições menos severas:
Japão: 15% de tarifa + investimentos nos EUA
Filipinas: 19% (com isenção para produtos americanos)
Indonésia: 19% (99% dos produtos dos EUA isentos)
Vietnã: 20%
Reino Unido: 10% (com benefícios para o setor automotivo)
Senadores tentam separar política de economia
A estratégia da comitiva é evitar que questões políticas, como as críticas de Eduardo Bolsonaro, atrapalhem as negociações comerciais. O senador Jaques Wagner (PT-BA) chegou a sugerir um encontro entre Lula e Trump, mas ainda não há confirmação.
Com o prazo se esgotando, o Brasil tenta evitar um golpe nas exportações, mas o silêncio da Casa Branca e as tensões políticas deixam o desfecho incerto.
Foto: Samyra Galvão/Gab. Senador Nelsinho Trad