31 de julho de 2025
tecnologia

Professor cria “armadilha” com IA e reprova 32 de 35 alunos em universidade

Docente inseriu comando oculto no enunciado de uma redação para identificar estudantes que usaram IA

Por Redação
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Apesar da repercussão, Gibson afirmou que reprovar estudantes não era seu objetivo. - Foto: Reprodução/Redes sociais

Um professor universitário dos Estados Unidos viralizou nas redes sociais após revelar uma estratégia usada para identificar alunos que recorreram à inteligência artificial (IA) para realizar uma atividade acadêmica. Como resultado, 32 dos 35 estudantes de uma turma foram reprovados na avaliação.

O professor Dr. Jason Gibson, da Alcorn State University, no Mississippi, pediu que os alunos produzissem uma redação sobre a Revolução Industrial. No entanto, o enunciado da atividade continha uma instrução escondida, escrita em letras brancas sobre um fundo branco, que não era visível durante a leitura normal do documento.

A frase determinava que a palavra “Madagascar” deveria aparecer no texto em um contexto sem qualquer relação com o tema da redação. A ideia era identificar quem copiaria todo o comando e enviaria para uma ferramenta de inteligência artificial, levando junto a instrução oculta.

Segundo Gibson, diversos trabalhos entregues pelos alunos incluíram referências absurdas a Madagascar, indicando que o texto havia sido gerado por uma IA sem uma revisão posterior.

Entre os exemplos estavam frases como “Madagascar flutua de lado durante a tarde” e “A bicicleta roxa de Madagascar sussurra para o teto”.

O professor afirmou que o problema não foi apenas o uso da ferramenta, mas a falta de conferência do conteúdo produzido. Para ele, os estudantes simplesmente copiaram e colaram as respostas geradas pela inteligência artificial.

Após divulgar a nota da avaliação, Gibson explicou aos alunos como a estratégia funcionava e abriu espaço para que aqueles que se sentissem prejudicados contestassem o resultado.

Dos 32 estudantes reprovados, apenas dois procuraram o professor. Um deles conseguiu reverter a reprovação ao explicar que utilizava o modo escuro no computador e, por isso, conseguiu visualizar a mensagem escondida no documento.

Nas redes sociais, usuários questionaram se a técnica poderia ter prejudicado estudantes que utilizam recursos de acessibilidade, como leitores de tela. Gibson afirmou que nenhum aluno das turmas envolvidas utilizava tecnologias assistivas.

Apesar da repercussão, Gibson afirmou que reprovar estudantes não era seu objetivo. Segundo ele, o episódio mostra que universidades ainda estão tentando encontrar a melhor forma de lidar com a inteligência artificial no ambiente acadêmico.

O professor destacou que a tecnologia chegou recentemente ao cotidiano educacional e que ainda não existem respostas definitivas sobre como equilibrar inovação, aprendizado e integridade acadêmica.

Para Gibson, o desafio das instituições é desenvolver práticas que permitam o uso responsável da IA sem comprometer a qualidade da formação dos estudantes.