Estudo aponta possível circulação de superbactéria entre animais de estimação e humanos
Pesquisa identificou alta semelhança genética entre cepas de Acinetobacter baumannii encontradas em cães, gatos e pacientes humanos
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Um estudo científico identificou evidências de que animais de estimação podem participar da circulação de uma das bactérias mais resistentes aos antibióticos conhecidas atualmente. A pesquisa encontrou grande semelhança genética entre cepas de Acinetobacter baumannii isoladas de cães, gatos e pacientes humanos, indicando um possível processo de transmissão entre espécies.
O levantamento foi publicado na revista Applied and Environmental Microbiology e analisou amostras coletadas em diferentes países. A bactéria é considerada uma ameaça importante para a saúde pública por causar infecções graves, principalmente em ambientes hospitalares, e apresentar resistência a diversos medicamentos.
A A. baumannii é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um patógeno de prioridade máxima devido à dificuldade de tratamento provocada pela resistência aos antibióticos.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Agrícola de Nanjing, do Instituto de Tecnologia de Wuhu e da Universidade de Medicina Chinesa de Nanjing. Ao todo, foram analisadas 509 amostras da bactéria coletadas em 17 países, envolvendo 33 espécies animais, além de milhares de amostras provenientes de pacientes humanos.
Os pesquisadores observaram que as cepas encontradas em cães, gatos e cavalos eram geneticamente semelhantes às que circulavam em hospitais das mesmas regiões. Em animais de estimação, a semelhança com amostras humanas ultrapassou 99% em alguns casos.
Outro ponto de atenção foi a presença, em cães e gatos, de genes associados à resistência aos carbapenêmicos, uma classe de antibióticos considerada uma das últimas alternativas para tratar infecções graves.
Segundo os autores do estudo, a convivência diária entre tutores e animais de estimação pode ser um fator que facilita a circulação da bactéria entre humanos e pets.
Os pesquisadores destacam, porém, que os resultados não comprovam que cães ou gatos tenham transmitido diretamente a bactéria para pessoas. A análise identificou apenas evidências genéticas de que microrganismos semelhantes circulam entre as espécies, sem determinar quando, como ou em qual direção ocorreu a possível transmissão.
Os cientistas afirmam que estudos futuros deverão acompanhar a circulação da Acinetobacter baumannii em animais e humanos para compreender melhor a frequência e os mecanismos dessa troca.
A investigação pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias de prevenção contra a disseminação de superbactérias, um dos maiores desafios atuais da saúde pública mundial.