31 de julho de 2025
caso abdoulaye dieng

Creche omitiu gravidade de acidente em mensagem a pai de bebê que morreu em SP

Bebê de 1 ano e 4 meses morreu após ficar com a cabeça presa entre uma grande e uma parede por 6 minutos; o caso ocorreu na quarta-feira (22/7), na região central de São Paulo

Por Redação
Publicado em
O menino foi retirado por funcionários e levado à UPA Mooca, onde a morte foi confirmada - Foto: Reprodução

Mensagens enviadas pela administração da Creche Luz do Brás ao pai de Abdoulaye Dieng, de 1 ano e 4 meses, mostram que a instituição informou apenas que o bebê havia “passado mal”, sem relatar que a cabeça da criança havia ficado presa entre uma grade e uma parede. O caso ocorreu na quarta-feira (22/7), na região central de São Paulo, e levou à morte do bebê.

Às 9h18, o contato da creche enviou o seguinte texto ao pai: “Oie, bom dia. O Abdoulaye passou mal. Estamos levando ele para o hospital.” Na sequência, houve uma ligação de 30 segundos e, às 9h19, nova mensagem indicou o local: “UBS Mooca, UBS Mooca.” Outros contatos ocorreram nos minutos seguintes.

Segundo o advogado da família, Erson de Oliveira, o formato do comunicado levou os pais a acreditarem que se tratava de um atendimento médico de rotina. A forma de comunicação foi integrada aos elementos sob análise da investigação policial.

O advogado da família afirmou que Abdoulaye estava sem a supervisão de funcionários no momento do acidente. De acordo com a defesa, os servidores realizavam uma confraternização em comemoração ao aniversário da diretora da unidade no refeitório da creche. O boletim de ocorrência confirma que a diretora nasceu no dia 22 de julho.

Conforme os registros oficiais, o bebê entrou em uma sala destinada a atividades físicas e ficou com a cabeça presa por cerca de sete minutos em uma estrutura metálica instalada em frente a um espelho. O menino foi retirado por funcionários e levado à UPA Mooca, onde a morte foi confirmada.

Investigação da conduta de funcionários


A Polícia Civil investiga cinco funcionários da instituição pelo crime de homicídio culposo, modalidade em que não há a intenção de matar. O procedimento instaurado pelo 8º Distrito Policial (Brás) apura a conduta da diretora da unidade, da coordenadora, de uma professora, de uma pedagoga e de outro funcionário da instituição.

A apuração policial busca esclarecer a responsabilidade de cada profissional na supervisão da criança no momento em que ela ficou presa. Para isso, foram solicitadas perícias ao Instituto de Criminalística (IC) e exames ao Instituto Médico Legal (IML), além da análise das imagens registradas pelas câmeras de segurança da creche.

Posicionamento da prefeitura


Questionada sobre a realização da festa no horário do acidente, a Secretaria Municipal de Educação (SME) não respondeu diretamente ao questionamento. Em nota, a pasta informou a instauração de um procedimento administrativo e declarou que poderá aplicar medidas como o descredenciamento da organização responsável pela gestão da creche se houver confirmação de irregularidades. A sala onde ocorreu o fato segue interditada.

Leia também