Brasil registra queda nos feminicídios em 2026, mas média ainda é de quatro mulheres assassinadas por dia
Dados do Ministério da Justiça mostram redução de 2,5% no primeiro semestre; Norte e Nordeste lideram queda, enquanto Sul, Centro-Oeste e Sudeste registram aumento
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O Brasil registrou uma redução de 2,5% no número de feminicídios no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar da queda, o país ainda contabiliza uma média de quatro mulheres assassinadas por razões de gênero por dia, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (22) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pelo Ministério das Mulheres.
De acordo com o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), foram registrados 741 feminicídios entre janeiro e junho deste ano. No mesmo período de 2025, o total foi de 760 casos.
Entre os seis primeiros meses do ano, junho apresentou o melhor resultado na comparação anual.
Foram 108 feminicídios registrados em junho de 2026, contra 127 ocorrências no mesmo mês do ano passado, representando a maior redução mensal do período analisado.
Os dados também apontam diferenças significativas entre as regiões brasileiras.
As maiores reduções ocorreram no:
- Norte: queda de 20%;
- Nordeste: redução de 19,9%.
Por outro lado, três regiões apresentaram aumento nos registros de feminicídio:
- Sul: alta de 19,2%;
- Centro-Oeste: aumento de 19%;
- Sudeste: crescimento de 2,6%.
Entre os estados, São Paulo registrou o maior número absoluto de feminicídios no primeiro semestre, com 142 casos.
Na sequência aparecem:
- Minas Gerais: 72 casos.
O Acre foi o único estado brasileiro que não registrou casos de feminicídio nos primeiros seis meses de 2026.
Durante a apresentação dos dados, os ministérios também divulgaram os resultados da Operação Mulher Segura.
No primeiro semestre deste ano foram realizadas 20.441 prisões, sendo:
- 16.131 prisões em flagrante;
- 4.310 prisões por mandado judicial.
A operação reúne ações integradas das forças de segurança voltadas ao combate à violência contra a mulher em todo o país.
Em 2026, a Lei do Feminicídio completa 11 anos de vigência.
A legislação alterou o Código Penal para classificar o assassinato de mulheres motivado por questões de gênero como homicídio qualificado e crime hediondo.
Desde 2024, a pena para o crime pode chegar a 40 anos de prisão, a maior prevista atualmente no Código Penal brasileiro.