No dia em que tarifaço dos EUA entra em vigor, PT lança campanha "O Brasil Não Se Entrega"
Partido tenta capitalizar politicamente a sobretaxa de 25% imposta por Trump e associar o tema à candidatura de Flávio Bolsonaro
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Nesta quarta-feira (22), a sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros passou a valer oficialmente. E o PT não deixou a data passar em branco. No mesmo dia, o partido lançou a campanha "O Brasil Não Se Entrega", movimento pensado para reforçar a imagem do partido como defensor da soberania nacional em meio à crise comercial.
A estratégia vai além de um simples slogan. O PT quer se posicionar como a legenda que protege a economia brasileira, os empregos e o direito da população de decidir o próprio rumo do país, tudo isso justamente no momento em que o tarifaço começa a produzir efeitos concretos sobre setores da economia nacional.
Uma disputa que também é eleitoral
Por trás da campanha, existe um cálculo político claro. O PT tem trabalhado para associar o tarifaço à família Bolsonaro, especialmente ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado por pesquisas recentes como o principal adversário de Lula (PT) na corrida presidencial.
Nas próximas semanas, o partido do presidente pretende ampliar essa estratégia com conteúdos voltados a outro tema sensível, o PIX. A ideia central é usar linguagem simples e direta, de fácil compreensão para o público em geral, evitando o tom mais técnico que costuma marcar discussões sobre política tarifária e economia.
Indústria nacional e riquezas minerais entram no discurso
Além da defesa da soberania, a campanha também vai priorizar a defesa da indústria nacional, do comércio e dos setores diretamente afetados pela nova tarifa americana. Outro ponto de destaque é a preservação das terras raras e de outras riquezas minerais consideradas estratégicas pelo governo, tema que tem ganhado espaço nas discussões sobre a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Militância mobilizada nas redes sociais
A cúpula da campanha de Lula também decidiu aproveitar o momento para intensificar a presença digital. A avaliação interna é de que o início do tarifaço deve dominar as conversas nas redes sociais ao longo do dia, e o partido não quer ficar de fora desse debate.
Para isso, o PT vai recorrer à plataforma "porta-vozes", criada justamente para unificar o discurso do partido e sugerir publicações prontas para a militância replicar nas redes.
O primeiro conteúdo distribuído pela ferramenta já dá o tom da mobilização: um áudio do vice-presidente Geraldo Alckmin, convocando os petistas para uma "luta pelo Brasil soberano".