31 de julho de 2025
SURTO DE EBOLA

Ataque a hospital faz pacientes com ebola fugirem durante surto na República Democrática do Congo

Unidade de saúde foi invadida após morte de uma gestante; dez pacientes infectados deixaram o hospital, aumentando a preocupação das autoridades

Por Redação
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Unidade de saúde foi invadida após morte de uma gestante - Foto: Getty Images

Um hospital da República Democrática do Congo foi alvo de um ataque de moradores, provocando a fuga de pacientes com ebola, além de médicos e enfermeiros. O episódio ocorreu na quarta-feira (15), em meio ao surto da doença que atinge o país e é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) um dos mais graves já registrados.

A revolta começou após a morte de uma mulher durante o parto. Segundo informações divulgadas pelas autoridades de saúde, a paciente apresentava anemia grave e não pôde receber transfusão de sangue devido aos protocolos adotados durante o surto de ebola.

Inconformados com a morte, familiares da vítima e outras pessoas invadiram a unidade de saúde, lançando pedras e pedaços de madeira contra o hospital.

Durante a confusão, os dez pacientes diagnosticados com ebola que estavam internados deixaram o local. A fuga preocupa as autoridades sanitárias, já que a doença é altamente contagiosa e pode provocar novos focos de transmissão.

De acordo com a OMS, o atual surto começou em maio e já soma pelo menos 2.073 casos confirmados e 796 mortes. Cerca de 90% das infecções estão concentradas na província de Ituri, embora a entidade estime que o número real de casos possa ser de duas a quatro vezes superior ao oficialmente registrado.

O surto é provocado pela variante Bundibugyo do vírus ebola, para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos aprovados. A taxa de mortalidade da cepa varia entre 30% e 50%.

A transmissão ocorre principalmente por meio do contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, além do contato com superfícies contaminadas e corpos de vítimas da doença.

Após o ataque, o Exército da República Democrática do Congo abriu uma investigação para apurar as circunstâncias do caso. Segundo autoridades locais, episódios de hostilidade contra profissionais de saúde têm se tornado cada vez mais frequentes durante o enfrentamento do surto.