Trump diz que CIA identificou plano de manipulação eleitoral na Venezuela, mas documentos não comprovam fraud
Relatórios apontam que regime chavista teria desenvolvido capacidade para alterar votos, porém agência afirma não haver confirmação definitiva de fraude em eleições específicas
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que documentos da Agência Central de Inteligência (CIA) identificaram um plano do governo de Nicolás Maduro para manipular resultados eleitorais na Venezuela. A declaração foi feita na quinta-feira (16), após a divulgação de relatórios pela Casa Branca.
Segundo Trump, os documentos indicam que o regime chavista teria conspirado para alterar digitalmente os resultados das eleições venezuelanas, especialmente durante o pleito de 2020. O presidente norte-americano também sugeriu que sistemas de votação eletrônica dos Estados Unidos poderiam ser vulneráveis a mecanismos semelhantes.
Os relatórios da CIA, concluídos em 29 de junho deste ano, afirmam que a agência acompanha há quase duas décadas a capacidade das autoridades venezuelanas de manipular sistemas eletrônicos de votação. No entanto, os próprios documentos ressaltam que não há comprovação definitiva de que esse mecanismo tenha sido utilizado em eleições específicas.
De acordo com o material divulgado, integrantes da Direção-Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) e do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) teriam desenvolvido, desde 2012, mecanismos capazes de alterar até 1,5 milhão de votos por meio de urnas eletrônicas previamente configuradas.
Os documentos também mencionam a criação de máquinas virtuais que reproduziriam resultados legítimos antes de substituí-los por dados manipulados, mantendo a aparência de normalidade durante a apuração.
Apesar dessas informações, a CIA concluiu que não encontrou evidências de fraude eletrônica em larga escala nas eleições presidenciais de 2012, vencidas por Hugo Chávez. A avaliação levou em consideração pesquisas de intenção de voto da época, o reconhecimento da derrota pela oposição e análises estatísticas que não identificaram padrões compatíveis com manipulação sistemática.
Em um dos trechos divulgados, os relatórios afirmam que autoridades venezuelanas "desenvolveram um interesse constante e provavelmente alguma capacidade para manipular sistemas eletrônicos de votação", mas destacam que as informações de inteligência não confirmam de forma definitiva que fraudes eletrônicas tenham ocorrido em processos eleitorais específicos.
Os documentos divulgados pela Casa Branca voltaram a intensificar o debate sobre a transparência das eleições na Venezuela, embora a própria análise da CIA não conclua que o suposto sistema de manipulação tenha sido efetivamente utilizado para alterar resultados eleitorais.