Tarifaço de Trump vira combustível para disputa eleitoral no Brasil
Troca de acusações entre esquerda e direita antecipa o tom das campanhas; Itamaraty blinda Donald Trump para tentar manter negociações abertas
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A sobretaxa de 25% imposta pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros ultrapassou as barreiras comerciais e fincou bandeira no centro do debate político nacional. Faltando menos de 80 dias para as eleições de outubro de 2026, o chamado "tarifaço" virou a principal arma de retórica entre governistas e oposição para ditar as narrativas das pré-campanhas.
De acordo com o analista de política Teo Cury, o tema será exaustivamente explorado nos palanques. O governo Lula adotou uma linha de defesa focada na soberania nacional, carimbando a oposição de "falsos patriotas" e "traidores da pátria" por supostamente celebrarem o prejuízo econômico do país.
Em contrapartida, a direita, liderada por nomes como o senador Flávio Bolsonaro (PL), usa o revés para desidratar a imagem do Executivo. A oposição baseia seus ataques em declarações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que criticou a postura de Lula nas negociações, afirmando que o presidente brasileiro teria priorizado o "ego" em vez dos acordos bilaterais.
Preocupação na Indústria: Setores produtivos temem que a polarização política atropele a busca por soluções práticas. A lista de produtos barrados pela sobretaxa inclui pilares da balança comercial brasileira, como etanol, açúcar orgânico, máquinas agrícolas, papel e vestuário.
A cartada da reciprocidade e o xadrez do Itamaraty
Para tentar conter o sangramento econômico, o Palácio do Planalto avalia acionar a Lei da Reciprocidade, aplicando taxas equivalentes a produtos americanos. O movimento, contudo, é visto com ressalvas pelo mercado, que teme uma escalada de retaliações ainda maior por parte de Washington.
Na linha de frente diplomática, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, rebateu as críticas sobre suposta omissão ao revelar que o governo brasileiro promoveu mais de 30 reuniões bilaterais de alto escalão desde março de 2025.
Estrategicamente, o Itamaraty desenhou uma blindagem cirúrgica: concentrou toda a carga de críticas em Marco Rubio e poupou o presidente Donald Trump. A tática de focar o desgaste no secretariado visa não fechar as portas para um eventual recuo ou renegociação direta com a Casa Branca antes que o prejuízo nas urnas e no bolso do produtor seja irreversível.