31 de julho de 2025
RIO DE JANEIRO

Governador veta projeto que retirava bairros de Arraial do Cabo do Parque Estadual da Costa do Sol

Executivo apontou ausência de estudos técnicos, riscos ambientais e insegurança jurídica para barrar proposta que previa a regularização fundiária em Sabiá e Caiçara

Por Redação
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Projeto que previa a retirada dos bairros Sabiá e Caiçara dos limites do Parque Estadual da Costa do Sol foi vetado pelo governo estadual. - Foto: Reprodução

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto de Castro, vetou integralmente o projeto de lei que previa a retirada dos bairros Sabiá e Caiçara, em Arraial do Cabo, dos limites do Parque Estadual da Costa do Sol (PECS). A decisão foi publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (16) e impede, por enquanto, o avanço da proposta apresentada pelo deputado estadual Marcelo Dino.

O projeto tinha como objetivo permitir a regularização fundiária de interesse social (Reurb-S) nas duas localidades, por meio da desafetação das áreas urbanas consolidadas que atualmente integram a unidade de conservação ambiental.

A proposta determinava que o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), em parceria com a Prefeitura de Arraial do Cabo, elaborasse um memorial descritivo e um mapa de georreferenciamento das áreas para viabilizar a regularização dos imóveis.

Segundo a justificativa do projeto, a medida buscava solucionar conflitos fundiários enfrentados por moradores das comunidades de Sabiá e Caiçara.

Nas razões do veto, o governo estadual afirmou reconhecer a importância da questão habitacional, mas destacou que o tema deve ser tratado por meio das ações judiciais já em andamento e de estudos técnicos conduzidos pelos órgãos competentes, sem a necessidade de reduzir a área protegida do parque.

O Executivo argumenta que o projeto não foi precedido por estudos técnicos capazes de demonstrar os impactos ambientais, sociais e territoriais da alteração proposta.

Além disso, o governo sustenta que a retirada das áreas da unidade de conservação poderia enfraquecer a proteção ambiental, gerar insegurança jurídica e abrir precedente para novas ocupações irregulares em áreas protegidas.

O parecer que embasou o veto também faz referência a manifestações do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

Segundo o órgão, equipes realizam fiscalização permanente nas localidades de Sabiá e Caiçara para coibir ocupações consideradas irregulares dentro do Parque Estadual da Costa do Sol e da Área de Proteção Ambiental de Massambaba.

Ainda conforme o instituto, a maior parte das ocupações existentes nas duas comunidades ocorreu após o marco temporal estabelecido pela Lei Federal nº 13.465/2017, circunstância que, segundo o entendimento do Inea, impediria o enquadramento dessas áreas nos requisitos legais para a regularização fundiária por meio da Reurb.

O governo informou ainda que o Inea elaborou, em 2023, uma proposta técnica para a redelimitação do Parque Estadual da Costa do Sol, que poderá ser revista futuramente, desde que existam justificativas técnicas e sejam observados os procedimentos legais previstos na legislação ambiental.

Com o veto publicado, o projeto retorna à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Os deputados estaduais poderão analisar a decisão do Executivo e decidir, em votação, se mantêm ou derrubam o veto.