Padre condenado por abusos sexuais no DF é preso em Sergipe
Padre estava foragido da Justiça do Distrito Federal desde a decretação de pena de 44 anos de prisão
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O padre Delson Zacarias dos Santos foi preso em Aracaju, Sergipe, após se entregar à polícia na quinta-feira. O religioso estava foragido desde 2022, ano em que recebeu condenação da Justiça do Distrito Federal a uma pena de 44 anos e oito meses de reclusão. A acusação é de estupro de vulnerável, em atos praticados entre os anos de 2014 e 2021. A fuga do Distrito Federal ocorreu após a divulgação do caso pela imprensa. Por envolver menor de idade, a investigação corre sob sigilo, e as forças de segurança não divulgam dados do inquérito.
A Arquidiocese de Brasília determinou o afastamento do sacerdote de suas funções ministeriais após o recebimento das denúncias. Santos atuou em paróquias localizadas no Riacho Fundo I, Sobradinho e Lago Sul, além de exercer o magistério no seminário de Brasília e na Faculdade de Teologia (Fateo). Os abusos contra a vítima começaram quando o jovem tinha 13 anos de idade e se estenderam por um período de seis anos e seis meses, ocorrendo com frequência semanal na casa paroquial.
Os relatos indicam que a abordagem inicial ocorreu em 2014, antes de um casamento, quando o sacerdote questionou o adolescente sobre hábitos sexuais e ordenou a remoção de suas roupas para observação do órgão genital, sob promessa de que nada aconteceria. Após o ato, o religioso pediu desculpas e solicitou silêncio em relação aos pais da vítima. Semanas depois, novos episódios ocorreram no quarto de visitas da residência, onde o padre realizava massagens enquanto o jovem dormia, acordando-o sem as vestimentas. O sacerdote justificava as investidas como brincadeiras e insistia na manutenção do segredo.
No final de 2014, o jovem tentou realizar o sacramento da confissão com o clérigo, mas teve o pedido recusado sob a justificativa de que o padre não poderia confessá-lo devido às práticas que mantinha com ele. O religioso estabeleceu uma rotina de encontros em momentos a sós, denominados por ele de "papo na cama", coagindo o adolescente a participar. Em abril de 2017, a violência evoluiu para a conjunção carnal forçada e sem o uso de preservativos, situação que gerou paralisia e silêncio na vítima diante da dor física e da repetição dos atos.
Nos anos seguintes, o clérigo efetuou registros fotográficos do jovem sem roupas enquanto este dormia, além de coletar fluidos biológicos e pelos corporais em recipientes. O acusado utilizava o argumento de que considerava o rapaz como um filho e realizava a entrega de presentes para conter as reações de indignação. No início de 2021, após nova tentativa de investida física na qual o jovem ofereceu resistência, a vítima optou pelo afastamento definitivo e formalizou a denúncia perante a polícia.