Homem que perdeu a memória após acidente reencontra a família depois de 46 anos em Alagoas
Identificação feita por força-tarefa entre Ministério Público, Polícia Federal e Instituto de Identificação encerrou décadas de incerteza e permitiu o reencontro com parentes após quase meio século
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Após 46 anos sem contato com os familiares, um homem que perdeu a memória depois de sofrer um acidente voltou a reencontrar a família nesta quinta-feira (16), em Alagoas. O reencontro de Edson Almeida Nunes só foi possível graças a uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL), com apoio da Polícia Federal e do Instituto de Identificação do Distrito Federal, que confirmou sua verdadeira identidade por meio da comparação das impressões digitais.
O caso colocou fim a uma espera que atravessou gerações. Durante décadas, familiares viveram sem saber o paradeiro de Edson, enquanto ele reconstruía a própria vida sem recordar quem era ou de onde vinha.
Ao rever a irmã, Margareth Landa, Edson resumiu o momento em poucas palavras: "Eu estou feliz."
Segundo a família, o reencontro representa o fim de uma longa busca. "Foi uma lacuna muito grande sem notícias. Agora queremos apenas abraçá-lo, conversar e tentar recuperar, se ele também desejar, o tempo que nos foi devolvido", afirmou a irmã.
A sobrinha Claudeneia Almeida Souza, que cresceu ouvindo histórias sobre o tio desaparecido, disse que a família pretende construir uma nova convivência. "Durante anos ele foi uma ausência. Agora teremos a oportunidade de conhecê-lo de verdade e criar novas memórias", declarou.
Investigação devolveu identidade perdida há décadas
A descoberta ocorreu após atuação do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos de Alagoas (PLID/AL), coordenado pelo MPAL. O caso chegou ao órgão depois de uma fiscalização realizada em uma instituição de longa permanência para idosos, em Santana do Ipanema.
Até a confirmação da identidade, Edson utilizava nomes diferentes. Quando foi acolhido na instituição, após receber alta hospitalar em consequência de um atropelamento, era conhecido como Fabrício. Mais tarde, passou a utilizar o nome José da Silva por decisão judicial.
A investigação revelou que ele era, na verdade, Edson Almeida Nunes, desaparecido aos 17 anos após sofrer uma crise de esquizofrenia. Pouco tempo depois, foi vítima de um acidente que comprometeu sua memória, impedindo que lembrasse sua identidade ou encontrasse os familiares.
Sem documentos que comprovassem quem era, a identificação permaneceu um mistério durante décadas.
A resposta veio poucas horas após o acionamento da Polícia Federal pelo MPAL. Peritos compararam as impressões digitais e confirmaram a identidade de Edson, permitindo localizar seus parentes e restabelecer os vínculos familiares.
Treze anos em instituição de acolhimento
Nos últimos 13 anos, Edson viveu na Casa São Vicente de Paulo, instituição de longa permanência para idosos localizada em Santana do Ipanema, no Sertão de Alagoas.
De acordo com a coordenação da unidade, ele chegou ao local com dificuldades emocionais e comportamentais, mas apresentou melhora significativa ao longo dos anos, graças ao acompanhamento da equipe e ao convívio com os demais moradores.
Uma das pessoas mais emocionadas com o reencontro foi a idosa Valdeci Alves da Silva, amiga de Edson na instituição.
"O Edson é a melhor pessoa desse lugar. Sempre está pronto para ajudar. Fico feliz por ele estar reencontrando a família, embora vá sentir saudades caso ele volte para casa", disse.
Retorno à família será gradual
Apesar do reencontro, o retorno definitivo ao convívio familiar ainda dependerá de avaliação da Justiça.
O Ministério Público solicitou a realização de uma audiência com os familiares, a equipe técnica da instituição e o próprio Edson, além de um estudo psicossocial para definir como ocorrerá a transição.
O objetivo é garantir que o processo aconteça de forma segura, respeitando as condições cognitivas e emocionais do idoso e fortalecendo, gradualmente, os laços familiares reconstruídos após quase meio século de separação.