Quaest: maioria atribui tarifaço dos EUA a Flávio Bolsonaro, e impacto supera desgaste de Lula
Levantamento aponta que 51% dos brasileiros concordam com a versão do governo sobre a origem das tarifas; pesquisa também mostra aumento da preocupação com os efeitos econômicos da medida
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Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (16) pelo instituto Quaest indica que a maioria dos brasileiros atribui ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) maior responsabilidade pela imposição de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros do que ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento também mostra que cresce a percepção de que o chamado "tarifaço" deverá afetar negativamente a vida das famílias brasileiras.
Segundo a pesquisa, 51% dos entrevistados afirmaram concordar com a versão apresentada por Lula, de que Flávio Bolsonaro teria solicitado ao presidente norte-americano Donald Trump medidas contra o Brasil. Já 30% disseram concordar com a versão do senador, que nega ter pedido a adoção das tarifas e afirma ter buscado evitar a taxação dos produtos brasileiros. Outros 6% não souberam ou preferiram não responder.
Na comparação com o levantamento realizado em junho, a concordância com a versão do presidente Lula passou de 47% para 51%, enquanto a adesão à versão de Flávio Bolsonaro caiu de 35% para 30%.
Motivação das tarifas também divide opiniões
A pesquisa também perguntou aos entrevistados sobre o motivo das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos.
Para 49%, a medida representa uma retaliação ao sistema de pagamentos Pix, conforme defendido pelo presidente Lula. Já 33% concordam com a avaliação de Flávio Bolsonaro de que as tarifas seriam consequência de declarações feitas pelo governo brasileiro contra os Estados Unidos. Outros 10% afirmaram não concordar com nenhuma das versões, enquanto 8% não responderam.
Em relação ao levantamento anterior, também houve aumento da adesão à explicação apresentada pelo governo federal.
Maioria desconhece viagem de Flávio aos Estados Unidos
O levantamento mostra ainda que 57% dos brasileiros disseram não ter conhecimento da viagem realizada por Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para tratar do tema.
Entre os entrevistados que afirmaram conhecer a iniciativa, 58% acreditam que o senador não possui influência suficiente para convencer o governo norte-americano a rever as tarifas impostas ao Brasil. Outros 34% avaliam que ele teria condições de contribuir para uma mudança na decisão.
Preocupação com impactos econômicos cresce
A percepção sobre os efeitos econômicos do tarifaço também aumentou.
Segundo a pesquisa, 63% dos entrevistados acreditam que as tarifas impostas pelos Estados Unidos irão prejudicar diretamente a vida deles ou de suas famílias. Em junho, esse percentual era de 55%. Já 31% afirmaram que não esperam impactos pessoais da medida, enquanto 6% não souberam responder.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07181/2026.