Operação mira esquema que movimentou R$ 100 milhões do tráfico e investiga elo com a Al-Qaeda
Polícia Civil e Ministério Público investigam movimentação de R$ 100 milhões e apuram possível ligação com estrutura financeira da Al-Qaeda
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram, na manhã desta quarta-feira (15), a Operação Hawala para combater um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas. Segundo as investigações, o grupo movimentou pelo menos R$ 100 milhões. Até a divulgação das informações, dez pessoas haviam sido presas.
De acordo com a Polícia Civil, durante as investigações foi identificada uma possível relação comercial entre uma empresa ligada aos investigados e um indivíduo apontado como integrante de uma estrutura de financiamento da organização Al-Qaeda. A corporação informou que essa suspeita será analisada com base no material apreendido durante a operação.
As investigações apontam que o esquema prestava serviços financeiros ao Terceiro Comando Puro (TCP) e também ocultava recursos ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo é suspeito de utilizar empresas de fachada e movimentações financeiras para ocultar a origem dos valores.
A operação mobilizou agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Ao todo, foram expedidos dez mandados de prisão e 37 mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu.
Os presos foram identificados como: Ali Alfakih, Barbara de Oliveira Rosa, Bárbara Luzia Souza de Carvalho, Kassem Zayoun, Lucas Gabriel Vidal, Reda Zayoun, Samuel Morais da Hora, Thierry Martins Lourenço Ribeir, Yago Jorge de Souza Daniel e Yasser Zayoun.
A Justiça do Rio de Janeiro também determinou o bloqueio de ativos financeiros, além da indisponibilidade de bens e participações societárias dos investigados. O Ministério Público denunciou 22 pessoas por participação no esquema, e a denúncia foi recebida integralmente pela Justiça, tornando todos os acusados réus no processo.
Segundo a investigação, o caso teve início a partir de apurações da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), que identificou uma empresa instalada no Complexo do São Carlos. O estabelecimento seria utilizado para comercializar produtos falsificados e receber equipamentos eletrônicos roubados.
A partir do rastreamento dos responsáveis pela empresa, os investigadores localizaram uma rede de empresas de fachada em diferentes estados. Conforme a Polícia Civil, o grupo utilizava depósitos fracionados em dinheiro para dificultar o monitoramento das operações financeiras.
Durante o avanço das investigações, foi identificado um núcleo formado por empresários de origem libanesa, apontado como responsável pela movimentação interestadual e internacional dos recursos. A Polícia Civil informou ainda que há indícios de atuação desse grupo na região da Tríplice Fronteira, área monitorada por órgãos nacionais e internacionais em razão de investigações relacionadas à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.
Em nota, a Polícia Civil afirmou que a possível ligação entre investigados e um indivíduo sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, apontado como integrante de uma estrutura financeira da Al-Qaeda, será aprofundada após a análise dos documentos, equipamentos e demais provas recolhidas durante a Operação Hawala.