Saiba por que a Arquidiocese de Maceió orienta fiéis a não participarem da Missa Tridentina sem autorização
Comunicado reforça que o Rito Romano Tradicional só pode ser celebrado em local autorizado pelo arcebispo na capital alagoana
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A Arquidiocese de Maceió divulgou um comunicado orientando os fiéis a participarem da Missa Tridentina apenas em locais autorizados pela autoridade eclesiástica. A manifestação ocorreu após o Vaticano anunciar, no início de julho, a excomunhão de dois bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) por realizarem a consagração de quatro presbíteros sem mandato da Santa Sé. Os quatro sacerdotes também foram excomungados.
Veja:
Segundo a Arquidiocese, grupos ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X têm promovido celebrações do chamado Rito Romano Tradicional sem autorização das dioceses e arquidioceses. Diante desse cenário, o comunicado reforça que os católicos da Arquidiocese de Maceió devem evitar participar de missas celebradas por sacerdotes ou grupos que não estejam em comunhão com a Igreja e sem autorização do arcebispo Dom Beto Breis.
A Missa Tridentina, também conhecida como Rito Romano Tradicional, foi promulgada em 1570 pelo Papa São Pio V e posteriormente revisada pelo Papa João XXIII. A celebração é realizada, em grande parte, em latim, com o sacerdote voltado para o altar. Entre suas características estão a distribuição da comunhão diretamente na boca e a utilização das normas litúrgicas anteriores ao Concílio Vaticano II.
Após o Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI promulgou, em 1969, o rito ordinário da missa, que passou a ser celebrado no idioma local, com maior participação dos fiéis por meio de respostas e cantos durante a liturgia. Desde então, essa forma tornou-se a celebração utilizada de maneira regular pela Igreja Católica em todo o mundo.
Em 2007, durante o pontificado de Bento XVI, o documento Summorum Pontificum ampliou a possibilidade de celebração da Missa Tridentina sem autorização prévia do bispo. Posteriormente, o Papa Francisco restringiu novamente seu uso após consultar bispos de diversos países. Segundo o Vaticano, a medida foi adotada diante da utilização da celebração por grupos que estariam promovendo divisões dentro da Igreja.
Atualmente, a Santa Sé permite a celebração da Missa Tridentina desde que ela ocorra em locais autorizados pelos bispos ou arcebispos e em comunhão com o papa e a Igreja Católica.
Na Arquidiocese de Maceió, a celebração do Rito Romano Tradicional já havia sido limitada durante o episcopado de Dom Antônio Muniz. Em fevereiro de 2025, Dom Beto Breis confirmou que apenas a Capela de São Vicente de Paulo, localizada na Santa Casa de Misericórdia, no Centro de Maceió, está autorizada a celebrar esse rito. As missas ocorrem aos domingos e nas solenidades, às 10h, presididas pelo padre Cícero Lenisvaldo, integrante do clero arquidiocesano.
Após a repercussão das excomunhões anunciadas pelo Vaticano, a Arquidiocese reforçou que nenhum sacerdote, seja pertencente ao clero local, visitante ou ligado a outros grupos, pode celebrar a Eucaristia segundo o Rito Romano Tradicional em território arquidiocesano sem autorização expressa do arcebispo.
No comunicado, a Arquidiocese afirma que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X praticou um ato de desobediência ao Papa Leão XIV ao promover ordenações sem mandato apostólico e declarou que os integrantes da entidade permanecem em situação irregular perante a Igreja. Por esse motivo, orienta os fiéis a não participarem de celebrações promovidas por pessoas ou grupos que estejam fora da comunhão com a Igreja Católica ou atuem à margem da Arquidiocese de Maceió.