“Atenda esse telefone, filho da p”: PF vê áudios de Gustavo Pontes, como indício de que secretário da Saúde de Alagoas seguia no comando da NOT
PF vê áudios agressivos de Gustavo Pontes como indício de que secretário seguia no comando da Clínica NOT
Publicado em
O Relatório da Polícia Federal obtido com exclusividade pelo Frances News aponta que áudios atribuídos a Gustavo Pontes de Miranda Oliveira, secretário de Saúde de Alagoas, foram usados pelos investigadores como indício de que ele continuaria administrando a Clínica NOT mesmo após ter deixado formalmente o quadro social da empresa.
A NOT, sigla para Núcleo de Ortopedia e Traumatologia, é uma das empresas centrais da investigação que apura suspeitas de desvios de recursos públicos na Saúde de Alagoas.
Segundo a PF, arquivos encontrados na nuvem de Raul Pereira Lima retratam diálogos diretos entre ele e Gustavo Pontes. Para os investigadores, as conversas trazem “fortes elementos indicativos” de que o secretário continuava exercendo influência sobre a clínica, mesmo depois de seu afastamento formal da sociedade, em 1º de junho de 2023.
O relatório destaca áudios enviados no dia 11 de fevereiro de 2024, quando Gustavo demonstra preocupação com as dependências da empresa após a sede da NOT ter sido alvo de danos. Nas mensagens, ele cobra Raul em tom agressivo, com xingamentos e ameaças de desconto por causa dos prejuízos.

Veja a transcrição apontada pela PF:
11/02/2024 – 18:05:13 – Gustavo: “Atenda esse telefone filho da puta! Que eu quero falar com você urgente, seu canalha!”
11/02/2024 – 18:05:52 – Gustavo: “Você deixou a NOT só, seu sacana, vai se foder comigo viu?”
11/02/2024 – 18:06:01 – Gustavo: “Derrubaram o portão e mexeram lá em tudo, vou descontar tudo de você, vai se foder!”
De acordo com a Polícia Federal, logo depois das mensagens, Gustavo Pontes teria encaminhado imagens do portão danificado e do interior de um imóvel vinculado à NOT para que Raul visse o estrago causado por um arrombamento criminoso.
Para os investigadores, o conteúdo dos áudios não apenas revela a forma agressiva como Gustavo se dirigia a Raul, mas também reforça a suspeita de que ele mantinha domínio sobre a rotina e a estrutura da clínica. A PF aponta que a preocupação direta com o imóvel, a cobrança sobre a presença de Raul e a ameaça de descontar os prejuízos seriam incompatíveis com a posição de alguém sem vínculo de comando ou administração sobre a empresa.
O relatório também registra que, em 25 de fevereiro de 2024, Raul teria encaminhado a Gustavo fotos da obra de reforma na fachada principal da NOT. Para a PF, esse novo envio de imagens “corrobora ainda mais” a hipótese de manutenção de vínculo de fato de Gustavo com a empresa.
A investigação apura se a NOT foi beneficiada em contratos e pagamentos ligados ao programa Mais Saúde/Especialidades, da Secretaria de Estado da Saúde. A PF suspeita que Gustavo, mesmo fora do quadro societário formal, teria permanecido como sócio de fato e exercido influência sobre decisões relacionadas à empresa.