31 de julho de 2025
investigação

Quatro são denunciados por homicídio após morte de jovem em salto de rope jump

Além da acusação de homicídio, organizadora também responde por omissão e suposta tentativa de apagar provas do acidente

Por Redação
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Maria Eduarda Rodrigues faleceu após saltar de rope jump. - Foto: Reprodução/redes sociais

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou quatro pessoas pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, ocorrida durante um salto de rope jump em 13 de junho, na Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis (SP).

Três homens foram denunciados por homicídio com dolo eventual, modalidade em que os acusados assumem o risco de provocar a morte. O crime também foi qualificado por motivo torpe e pelo uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

A quarta denunciada, apontada como organizadora do evento, responde pelos mesmos crimes, além de omissão imprópria, por ter a responsabilidade de garantir a segurança dos participantes, e fraude processual, por supostamente tentar eliminar provas importantes para a investigação.

Segundo a denúncia, os investigados promoviam eventos pagos de rope jump na Ponte do Esqueleto, recebendo entre 80 e 100 participantes por dia, sem estrutura adequada para gerenciamento de riscos e sem cumprir protocolos básicos de segurança.

Maria Eduarda participava da modalidade conhecida como "aviãozinho", na qual o praticante é suspenso pelos operadores antes de ser lançado da plataforma.

De acordo com o Ministério Público, a jovem foi arremessada sem que a corda de segurança estivesse conectada ao peitoral, caindo de aproximadamente 30 metros de altura. Ela morreu em decorrência de múltiplos traumas.

Os promotores afirmam que os organizadores tinham conhecimento dos riscos da atividade, mas deixaram de realizar procedimentos considerados essenciais, como a conferência da conexão da corda e a dupla checagem dos equipamentos antes do salto.

A investigação também concluiu que não havia divisão clara de responsabilidades entre os integrantes da equipe e que a atividade era explorada comercialmente sem atender às exigências legais para esse tipo de operação.

Além das falhas operacionais, o Ministério Público sustenta que a organizadora manteve as atividades mesmo após tomar conhecimento de um incidente semelhante ocorrido anteriormente.

Ela também é acusada de determinar que fosse localizada a câmera GoPro utilizada pela vítima e que as imagens registradas fossem apagadas para dificultar as investigações. Segundo a denúncia, o equipamento continua desaparecido.

Outro ponto destacado pelo Ministério Público é que os organizadores realizavam os eventos sem cumprir exigências previstas na legislação para atividades turísticas e esportes de aventura.

Entre as irregularidades apontadas estão:

  • ausência de cadastro no Cadastur, do Ministério do Turismo;
  • inexistência de seguro de responsabilidade civil;
  • falta de termos de ciência dos riscos assinados pelos participantes;
  • ausência de procedimentos formais de gestão de segurança.

Para os promotores, essas falhas demonstram que a atividade era realizada sem os padrões mínimos de segurança exigidos.

Na denúncia, o Ministério Público solicitou a manutenção da prisão preventiva dos três homens. Em relação à organizadora, pediu a conversão da prisão temporária em preventiva.

Os promotores também requerem que, em caso de condenação, a Justiça fixe uma indenização mínima de R$ 200 mil à família da vítima pelos danos causados.

Até a publicação desta reportagem, a defesa dos denunciados não havia se manifestado. O espaço permanece aberto para posicionamento.

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu na tarde de 13 de junho durante um evento de rope jump realizado na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP).

As investigações da Polícia Civil apontaram que a jovem foi lançada da plataforma sem que a corda de segurança estivesse conectada ao equipamento de proteção, em um erro operacional considerado gravíssimo.

O caso teve repercussão nacional e motivou a criação de uma força-tarefa do Ministério Público, reunindo órgãos estaduais para intensificar a fiscalização de empresas que oferecem esportes de aventura e reforçar medidas de prevenção de acidentes.

Com a denúncia apresentada, o processo entra em uma nova etapa. Caberá agora ao Poder Judiciário decidir se recebe a acusação e transforma os investigados em réus.