31 de julho de 2025
EUA X BRASIL

Militares dizem que risco de ação dos EUA no Brasil existe, mas está longe de virar realidade

Fontes ligadas às Forças Armadas explicam que uma coisa é possibilidade, outra bem diferente é probabilidade, e por enquanto nada indica que os americanos vão agir militarmente aqui

Por Redação
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Militares relativizam risco de ação dos EUA no Brasil citado pelo Itamaraty - Foto: Reprodução

O chanceler Mauro Vieira acendeu um alerta ao dizer que existe risco de ação militar dos Estados Unidos no Brasil, depois que o PCC e o Comando Vermelho foram classificados por Washington como organizações terroristas. Só que dentro das próprias Forças Armadas, sob reserva, o tom é bem mais calmo.

Segundo integrantes do Ministério da Defesa, faz parte do trabalho militar mesmo ficar de olho em todo tipo de cenário, por mais improvável que pareça. Isso é rotina, é o que se espera de qualquer força armada preparada. O ponto que eles fazem questão de deixar claro é outro: existir a possibilidade de algo acontecer não quer dizer que isso vá acontecer de fato. E essa avaliação, segundo eles, precisa ser atualizada o tempo todo, conforme a situação evolui.

Na leitura desses militares, o chanceler mencionou a palavra possibilidade porque a própria classificação das facções como organizações terroristas abre esse tipo de brecha jurídica nos Estados Unidos. Mas, no momento, não existe nenhum sinal concreto de que essa possibilidade esteja perto de virar uma ação real em solo brasileiro.

Essa questão veio à tona porque o Ministério das Relações Exteriores respondeu a um questionamento formal da Câmara dos Deputados sobre o assunto. E no ofício, assinado pelo próprio Mauro Vieira, o Itamaraty foi direto ao apontar os riscos envolvidos. O texto menciona que a legislação americana de combate ao terrorismo usa termos bem amplos, o que dá bastante liberdade de interpretação na hora de aplicá la. Isso pode gerar consequências sérias pra brasileiros nas áreas financeira, migratória e até criminal. E, por fim, o documento não deixa de citar a possibilidade de uso de força militar americana em território brasileiro.

Fora o risco em si, o Itamaraty também avaliou o que essa classificação representa em termos práticos pra relação entre os dois países. E a conclusão não é lá muito animadora: segundo o próprio ofício, essa mudança não traz benefício real nenhum pra cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado. O argumento é que já existia uma forma de cooperação funcionando, já que Washington havia classificado as facções como organizações criminosas transnacionais, o que por si só já permitia troca de informações e outras ações conjuntas.

Essa resposta do governo foi motivada por um pedido formal do deputado Evair de Melo (Republicanos ES), aprovado em maio, logo depois que os Estados Unidos anunciaram a decisão sobre as facções.