Erros e brigas por poder arrastam Flávio Bolsonaro para o centro de uma crise política
Aliados criticam centralização do comando de pré-campanha e apontam que pedido para Donald Trump adiar tarifas comerciais acabou virando um presente eleitoral para o governo Lula
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A caminhada de Flávio Bolsonaro rumo à disputa presidencial virou um verdadeiro campo de batalha nos bastidores. O clima entre os apoiadores azedou de vez, arrastando a articulação para uma sequência de crises alimentada por disputas de ego e falhas graves de planejamento.
O principal alvo da insatisfação é o senador Rogério Marinho, responsável por coordenar o projeto. Interlocutores reclamam que ele centraliza todas as decisões e ignora as lideranças regionais, o que acabou provocando um racha interno em vez de unir a oposição.
Para complicar o cenário, a estratégia de comunicação é considerada amadora por parte dos aliados. Eles apontam que a equipe atual não consegue criar fatos políticos e que o senador só se mantém relevante no debate público devido ao engajamento espontâneo de sua militância na internet.
A influência do chamado "comitê dos EUA", liderado pelo deputado Eduardo Bolsonaro diretamente de território americano, também gera forte incômodo. Esse comando paralelo atrasa decisões urgentes e esvazia a autoridade dos profissionais que tocam o dia a dia da pré-campanha no Brasil.
O estopim do desgaste aconteceu após o anúncio de tarifas comerciais pelo presidente americano Donald Trump. Em uma tentativa de conter o estrago, Flávio enviou uma carta ao governo dos Estados Unidos fazendo um pedido controverso: ele não tentou barrar as taxas, mas apenas implorou para que a punição econômica fosse adiada para depois das eleições de 2026.
A manobra foi vista como um erro estratégico monumental. Integrantes do próprio meio político avaliam que a iniciativa pegou muito mal com o eleitorado nacional e acabou funcionando como um combustível perfeito para o presidente Lula usar contra o clã Bolsonaro.