31 de julho de 2025
Tecnologia

Preocupação com segurança faz cair número de crianças com celular, aponta IBGE

Pesquisa do IBGE mostra que preocupação com privacidade e segurança passou a ser o principal motivo para responsáveis adiarem o uso de celulares

Por Redação
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Entre as famílias cujos filhos ainda não possuem celular, a principal justificativa passou a ser a preocupação com privacidade e segurança. - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A preocupação com a privacidade e a segurança tornou-se o principal motivo para que pais e responsáveis adiem a compra de celulares para crianças e adolescentes. A constatação é da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta quinta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento mostra que, em 2025, a proporção de crianças entre 10 e 13 anos que possuem telefone celular caiu pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2016. Atualmente, 55,2% dos brasileiros dessa faixa etária têm o aparelho, índice 1,5 ponto percentual menor que o registrado em 2024.

Entre as famílias cujos filhos ainda não possuem celular, a principal justificativa passou a ser a preocupação com privacidade e segurança. O motivo foi citado por 32% dos responsáveis, um aumento de 7,8 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Desde 2022, esse percentual praticamente dobrou.

Há três anos, o cenário era diferente. Naquele período, o alto custo do aparelho era o principal fator para que crianças não tivessem celular, seguido pela avaliação de que o equipamento não era necessário ou pelo uso compartilhado com outros membros da família. A preocupação com segurança aparecia apenas na quarta posição.

Segundo o analista do IBGE Gustavo Fontes, a faixa etária de 10 a 13 anos foi a única a apresentar redução na posse de celulares em 2025. Nos demais grupos, o número de usuários continuou crescendo, fazendo com que o índice nacional alcançasse 89,8% da população.

Para o pesquisador, o resultado reflete uma maior preocupação das famílias com a exposição de crianças nas redes sociais, além de mudanças recentes, como a restrição ao uso de celulares em escolas.

Outro dado que reforça essa tendência é a leve queda no acesso à internet entre crianças de 10 a 13 anos, que passou de 84,9% para 84,4%, independentemente do dispositivo utilizado. Entre aquelas que permanecem sem acesso à rede, a falta de necessidade continua sendo a justificativa mais frequente, seguida pela preocupação com privacidade e segurança.

A pesquisa também apontou estabilidade no uso da internet entre adolescentes de 14 a 19 anos. Já considerando toda a população brasileira, o percentual de pessoas conectadas cresceu de 89,2% para 90,5%.