PT aciona Justiça contra Flávio Bolsonaro por "subordinação" aos EUA
Partido vai à PGR e ao Ministério Público Eleitoral após secretário de Estado americano expor, em carta, oferta de equipe de transição e alinhamento estratégico com Washington
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O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou, nesta terça-feira (30), duas ações pesadas contra o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, e contra o Partido Liberal (PL). As representações, enviadas à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Ministério Público Eleitoral (MPE), acusam o parlamentar e sua sigla de desrespeito à soberania nacional e de postura de subordinação aos interesses dos Estados Unidos.
A ofensiva jurídica foi motivada pelo vazamento de uma carta oficial enviada na semana passada por Marco Rubio, secretário de Estado americano, a Flávio Bolsonaro.
O trecho que acendeu o alerta no governo
A correspondência de Rubio era uma resposta a um apelo de Flávio para que o governo americano poupasse o Brasil do novo "tarifaço" comercial anunciado por Washington no início de junho. Embora os EUA tenham confirmado a manutenção das tarifas nas exportações brasileiras, o que gerou a crise política foi o teor político do documento.
No texto, Rubio escancara a promessa de entrega de dados estratégicos do Estado brasileiro antes mesmo do pleito.
"Observamos seu otimismo em relação às próximas eleições de outubro e sua oferta generosa de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso o senhor seja eleito", escreveu o secretário americano.
O PT argumenta que Flávio utilizou sua condição de parlamentar e pré-candidato para negociar diretamente com uma potência estrangeira, oferecendo informações governamentais sensíveis — às quais uma equipe de transição oficial tem acesso exclusivo — como moeda de troca política.
Alinhamento ideológico e uso de verba pública
Outro ponto crítico da carta que embasa as ações do PT é o agradecimento de Marco Rubio ao apoio de Flávio Bolsonaro à decisão de Washington em classificar as facções criminosas brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais, atropelando a diplomacia oficial do Itamaraty.
A representação do PT não poupa o PL. O partido governista acusa a legenda de Flávio de atuar de forma sistemática em favor de Washington, citando as agendas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em solo americano e o financiamento de viagens não oficiais de parlamentares aos EUA com o uso de dinheiro público da Câmara dos Deputados.
O PT exige a abertura imediata de um inquérito policial contra Flávio Bolsonaro e pede que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aplique sanções severas ao PL por violação das regras de soberania partidária.