MPF investiga denúncias de mutações genéticas em cavalos-marinhos na área de Suape
Denúncia do Instituto Hippocampus aponta malformações em embriões e relaciona casos às dragagens no porto e ao derramamento de óleo de 2019
Publicado em
O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento administrativo para investigar denúncias de mutações genéticas em cavalos-marinhos da espécie Hippocampus reidi que vivem na área de influência do Complexo Industrial Portuário de Suape, no litoral sul de Pernambuco.
A investigação foi aberta após representação apresentada pelo Instituto Hippocampus, que há três décadas atua na conservação da espécie. Segundo a denúncia, as alterações genéticas teriam relação com as dragagens realizadas em Suape e com o derramamento de óleo que atingiu o litoral nordestino em 2019.
Relatórios técnicos produzidos pelo instituto apontam que cerca de 20% dos embriões analisados apresentaram malformações. Entre as deformidades identificadas estão escoliose, lordose, deformações na boca e no focinho, ausência de olhos, edema ocular e casos de nanismo. De acordo com os pesquisadores, os filhotes afetados não conseguiam se alimentar ou nadar adequadamente, o que compromete sua sobrevivência.
O estudo comparou cavalos-marinhos coletados na Ilha de Cocaia, área diretamente influenciada pelas atividades portuárias, com animais do Rio Massangana, considerado um ambiente mais preservado. Enquanto os exemplares do Rio Massangana apresentaram filhotes saudáveis, as ninhadas provenientes da Ilha de Cocaia registraram diversas anomalias, mesmo após a reprodução ocorrer em ambiente controlado e livre de poluentes.
O Instituto Hippocampus também denunciou a morte de diversos animais durante operações de dragagem, alegando que não houve resgate prévio dos cavalos-marinhos. Segundo a entidade, um vídeo entregue ao MPF mostra dez animais mortos, entre eles dois machos grávidos que carregavam 382 embriões.
Além das questões ambientais, o instituto afirma que perdeu o apoio logístico e financeiro concedido por Suape após a divulgação dos resultados da pesquisa, o que teria comprometido as atividades de conservação e reabilitação da espécie.
Diante das denúncias, o MPF solicitou esclarecimentos ao Complexo de Suape sobre as possíveis divergências entre os estudos apresentados pelo instituto e o monitoramento ambiental realizado pela estatal, além de cobrar informações sobre o encerramento do apoio ao projeto, as medidas de proteção adotadas e os estudos de impacto ambiental relacionados ao novo Terminal de Minério.
Em nota, Suape informou que recebeu a notificação do Ministério Público Federal, afirmou cumprir rigorosamente a legislação ambiental e as condicionantes estabelecidas pelos órgãos competentes, além de realizar monitoramentos ambientais compatíveis com a importância ecológica da região. A estatal declarou ainda que está analisando os questionamentos do MPF e encaminhará os esclarecimentos técnicos dentro do prazo previsto, reafirmando seu compromisso com a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável de Pernambuco.