31 de julho de 2025
ENGENHEIRO POR FORMAÇÃO

Diretor do HGE construiu carreira na engenharia e no setor elétrico; hospital sofre apagão mesmo após Estado gastar R$ 9,2 milhões com geradores

Fernando Fortes Melro Filho comandou áreas de engenharia da antiga Ceal e do DNIT antes de assumir a direção do maior hospital público de Alagoas; falha na subestação reacende debate sobre a gestão da infraestrutura da unidade

Por Redação
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Fernando Fortes Melro Filho, diretor do HGE. - Foto: Assessoria

O apagão que atingiu o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, não apenas deixou pacientes e acompanhantes enfrentando calor intenso, corredores às escuras e paralisação temporária de exames. O episódio também colocou em evidência um contraste curioso na administração da maior unidade pública de urgência e emergência de Alagoas.

O diretor-geral do HGE, Fernando Fortes Melro Filho, construiu praticamente toda a sua carreira profissional na área de infraestrutura. Engenheiro civil de formação pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), ocupou cargos ligados ao setor elétrico, foi diretor de Engenharia da antiga Companhia Energética de Alagoas (Ceal), coordenou o programa Luz para Todos e comandou a Superintendência Regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em Alagoas, chegando a ser indicado, em 2015, para a Diretoria de Administração e Finanças da autarquia federal.

Hoje, é justamente sob sua gestão administrativa que o maior hospital público do Estado enfrentou uma grave falha em sua subestação elétrica.

Hospital ficou parcialmente sem energia

O apagão provocou transtornos para pacientes que aguardavam atendimento e para familiares que acompanhavam pessoas internadas.

Relatos apontam que corredores e áreas de espera ficaram sem energia, com calor intenso e grande quantidade de mosquitos. Durante a ocorrência, exames como tomografias precisaram ser interrompidos temporariamente, comprometendo o fluxo de atendimento da unidade.

Em nota oficial, a direção do HGE informou que a interrupção foi causada por uma falha na subestação elétrica do hospital, problema que também teria afetado a rede externa da concessionária Equatorial.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), engenheiros da pasta atuaram em conjunto com técnicos da distribuidora para restabelecer o sistema.

O hospital afirmou ainda que os geradores foram acionados imediatamente e mantiveram o funcionamento das áreas consideradas críticas, preservando os atendimentos essenciais.

Apesar disso, pacientes que estavam nas áreas comuns relataram que permaneceram sem energia durante parte da ocorrência.

Contratos milionários para geradores

O episódio ocorre em um contexto de investimentos milionários justamente para garantir energia de contingência nas principais unidades hospitalares da rede estadual.

Dados do Portal da Transparência mostram que as empresas do grupo GERAMAK receberam R$ 9.240.737,93 entre janeiro de 2022 e junho de 2026.

Somente por meio do Fundo Estadual de Saúde foram pagos R$ 3.061.541,92.

Os contratos identificam expressamente a locação de nove geradores de 500 KVA destinados ao Hospital Geral do Estado, Hospital da Mulher e Hospital Metropolitano.

Entre as ordens bancárias localizadas estão pagamentos de R$ 68.738,04, R$ 137.476,08, R$ 108.187,06, R$ 36.462,04 e R$ 200.241,12, todos vinculados ao Contrato nº 360/2023 e seus respectivos termos aditivos.

Segundo a Sesau, esses equipamentos garantiram o funcionamento das áreas críticas durante a interrupção da energia.

Contraste

O episódio produz um contraste que chama atenção.

Fernando Fortes Melro Filho passou grande parte de sua vida profissional administrando estruturas de engenharia, energia e infraestrutura. Atuou justamente em setores voltados à operação e manutenção de sistemas essenciais de fornecimento de energia elétrica antes de assumir a direção do HGE.

Mesmo com essa trajetória e com contratos milionários mantidos pelo Estado para locação de geradores, o hospital enfrentou um apagão provocado por uma falha em sua própria subestação elétrica.

A coincidência, por si só, não permite concluir responsabilidade pessoal do diretor pelo episódio. A manutenção da infraestrutura hospitalar envolve diferentes setores técnicos e administrativos da Secretaria de Estado da Saúde.

Ainda assim, o caso reacende questionamentos sobre a gestão da infraestrutura do HGE.

Até o momento, permanecem sem resposta perguntas importantes: quando foi realizada a última manutenção preventiva da subestação? A estrutura elétrica da unidade vinha sendo monitorada regularmente? O sistema de contingência é suficiente para atender toda a demanda do hospital ou apenas os setores críticos? E quais providências serão adotadas para impedir que novos episódios coloquem pacientes e profissionais novamente em situação de vulnerabilidade?

Enquanto essas respostas não são apresentadas, permanece o contraste entre os investimentos públicos destinados à infraestrutura elétrica do maior hospital de Alagoas e os transtornos enfrentados por pacientes durante um apagão que atingiu justamente uma unidade administrada por um gestor cuja carreira foi construída na área de engenharia e infraestrutura.

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