31 de julho de 2025
CAOS NA SAÚDE

Governo de Alagoas pagou mais de R$ 9,2 milhões por geradores desde 2022, mas apagão expôs fragilidade no HGE

Contratos para locação de nove geradores atendem Hospital Geral do Estado, Hospital da Mulher e Hospital Metropolitano; pacientes enfrentaram calor, escuridão e suspensão de exames durante falta de energia

Por Redação
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Mesmo após R$ 9,2 milhões em contratos de geradores, apagão provoca caos no HGE. - Foto: Aaron Neves/Francês News

A falta de energia registrada no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, reacendeu o debate sobre a infraestrutura elétrica da maior unidade pública de urgência e emergência de Alagoas. Enquanto pacientes relataram calor intenso, escuridão nos corredores e interrupção de exames de imagem, dados do Portal da Transparência mostram que o Governo de Alagoas já desembolsou R$ 9.240.737,93 em pagamentos às empresas do grupo GERAMAK, responsável pela locação de geradores utilizados em hospitais estaduais.

Os pagamentos foram realizados entre janeiro de 2022 e junho de 2026. Desse total, R$ 9.077.157,73 foram destinados à GERAMAK Come Servde Máquinas Ltda. ME, principal contratada para o fornecimento dos equipamentos, enquanto outros R$ 163.580,20 foram pagos à GERAMAK Comércio e Manutenção Ltda.

Somente pelo Fundo Estadual de Saúde (FES), os pagamentos alcançam R$ 3.061.541,92.

Os registros oficiais detalham que os contratos contemplam a locação de nove geradores de 500 KVA destinados ao Hospital Geral do Estado, Hospital da Mulher e Hospital Metropolitano. As ordens bancárias analisadas fazem referência ao Contrato nº 360/2023, firmado após pregão eletrônico da AMGESP, além de sucessivos termos aditivos.

Entre os pagamentos identificados estão ordens bancárias de R$ 68.738,04, R$ 137.476,08, R$ 108.187,06, R$ 36.462,04 e R$ 200.241,12, todas relacionadas à locação dos geradores utilizados pelas três unidades hospitalares.

Apagão provocou transtornos

Apesar da existência do contrato milionário para fornecimento de energia de contingência, pacientes e acompanhantes viveram momentos de apreensão durante o apagão registrado no HGE.

Relatos feitos por pessoas que estavam na unidade descrevem corredores escuros, calor intenso e grande quantidade de mosquitos. A interrupção da energia também provocou a paralisação temporária de exames, como tomografias, comprometendo o atendimento de pacientes que aguardavam diagnóstico.

Em nota oficial, a direção do HGE informou que a ocorrência foi provocada por uma falha na subestação elétrica da unidade, problema que também teria afetado a rede externa da concessionária Equatorial.

Segundo o hospital, engenheiros da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e técnicos da distribuidora atuaram para restabelecer o fornecimento de energia.

A unidade afirmou ainda que os geradores foram acionados e mantiveram em funcionamento os equipamentos das áreas críticas, preservando os atendimentos considerados essenciais.

A nota, no entanto, não afasta o fato de que pacientes e acompanhantes permaneceram sem energia nas áreas comuns da unidade durante o período da ocorrência, cenário registrado por testemunhas e amplamente divulgado nas redes sociais.

Milhões em contratos

Os documentos do Portal da Transparência mostram que os contratos com a GERAMAK permanecem ativos e abrangem justamente os hospitais que dependem do sistema de geração de energia para garantir continuidade dos serviços.

No Fundo Estadual de Saúde, a maior parte dos recursos foi destinada à rubrica "Locação de Máquinas e Equipamentos", que concentra R$ 2.317.840,33 em pagamentos. Também aparecem despesas de exercícios anteriores relacionadas à locação de equipamentos e veículos.

Os documentos identificam expressamente que os geradores locados atendem o Hospital Geral do Estado, Hospital da Mulher e Hospital Metropolitano.

Questões que permanecem

O episódio deixa uma série de perguntas ainda sem resposta.

Embora a Sesau afirme que os geradores garantiram o funcionamento das áreas críticas, ainda não foi esclarecido quais setores ficaram efetivamente cobertos pelo sistema de contingência, quanto tempo durou a interrupção da energia nas áreas comuns e se a falha da subestação poderia ter sido evitada por meio de manutenção preventiva.

Também permanece a dúvida sobre a capacidade instalada dos geradores contratados e se ela é suficiente para atender toda a estrutura do HGE em situações de emergência.

Enquanto essas respostas não são apresentadas, o contraste permanece evidente: o Estado mantém contratos milionários para assegurar energia de contingência nos principais hospitais da rede pública, mas pacientes continuaram enfrentando transtornos durante um apagão na maior unidade hospitalar de Alagoas.