31 de julho de 2025
"Patacoada"

Jaques Wagner solta o verbo contra espetacularização da PF e revela que reclamou com Lula

Senador critica exposição de dinheiro apreendido, diz que repasses do Banco Master para sua nora superam R$ 3,5 milhões e alega que caronas em jatinhos não comprovam crime

Por Redação
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Jaques Wagner se queixa a Lula de "patacoada" da PF após operação - Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles

O senador Jaques Wagner (PT-BA) quebrou o silêncio após o racha político provocado pela operação da Polícia Federal em seus endereços. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ex-líder do governo no Congresso não poupou críticas à atuação dos agentes, classificando como uma "patacoada" a divulgação de fotos com maços de moeda estrangeira apreendidos em seu apartamento funcional em Brasília.

O petista revelou que levou sua insatisfação diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cobrando uma postura firme do comando da PF para evitar o retorno dos métodos de espetacularização midiática que marcaram os tempos da Operação Lava Jato. Para Wagner, a exibição do escudo da corporação ao lado do dinheiro violou uma ordem expressa do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia determinado que as buscas ocorressem sob sigilo e de forma discreta.

No centro da nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de propinas para favorecer o Banco Master no Legislativo, o senador baiano trouxe um fato novo ao admitir que os valores recebidos pela empresa de sua nora são ainda maiores do que os R$ 3,5 milhões apontados pelos investigadores. Ele assegura, no entanto, que todos os repasses têm origem estritamente legal e comercial.

O parlamentar também minimizou os indícios de que utilizava aeronaves do empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira, argumentando que a aceitação de caronas faz parte das relações cotidianas da política e não configura moeda de troca para a aprovação de emendas ou projetos de interesse do banco. Segundo Wagner, a PF tenta criminalizar amizades sem apresentar provas de contrapartida ilícita.

A contraofensiva do senador ocorre logo após ele selar sua saída oficial da liderança do governo, em uma conversa de comum acordo com Lula no Palácio da Alvorada. Ao passar o bastão para a senadora Teresa Leitão (PT-PE), Jaques Wagner declarou que vai concentrar todas as suas energias na defesa de sua inocência e na organização das bases eleitorais para o pleito de 2026, onde tentará renovar seu mandato no Senado ao lado do atual ministro Rui Costa.