Só o carimbo de Bolsonaro pode encerrar guerra fria entre Flávio e Michelle
Ala do PL avisa que pacificação interna exige que o senador ceda aos desejos da madrasta; bombeiros partidários correm contra o relógio antes das convenções
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A resolução do racha público que balançou as estruturas da oposição nos últimos dias tem um único mediador capaz de ditar o ponto final: o ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos bastidores do Partido Liberal (PL), a leitura é unânime de que a paz entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro, só será assinada quando o patriarca do clã arbitrar o conflito.
Interlocutores ligados à ala mais influente de Michelle sustentam que a reconciliação não virá com meros panos quentes digitais, mas sim pelo cumprimento das exigências político-partidárias feitas por ela. A presidente do PL Mulher quer garantias de espaço e poder de decisão sobre os arranjos regionais da legenda.
O método para resolver esse tipo de impasse não é inédito no clã. Recentemente, a indicação de Hélio Bolsonaro para concorrer ao Senado por Roraima quase foi descartada pelo diretório estadual. O ex-presidente interveio diretamente no xadrez político e enviou um recado claro a Valdemar Costa Neto, por meio de Michelle, determinando que a cadeira pertencia ao aliado. Pouco depois, o próprio Flávio engoliu o recuo e gravou um vídeo ao lado de Hélio selando a paz.
Estrategistas do partido avaliam que o momento escolhido por Michelle para soltar os vídeos e expor a briga com o enteado foi minuciosamente calculado. Como o prazo limite para as convenções partidárias se estende até o início de agosto, ainda há tempo hábil para o grupo forçar mudanças drásticas nas chapas e composições já pré-definidas.
Apesar da correria dos "bombeiros" do PL para apagar o incêndio e blindar a pré-campanha do senador do desgaste, ainda paira uma névoa de incerteza em Brasília sobre o nível real de ciência de Jair Bolsonaro a respeito do tamanho da crise. O comitê eleitoral de Flávio tem pressa na pacificação: Michelle é tida como a ponte mais eficaz com o eleitorado feminino, um segmento estratégico em que o "01" precisa urgentemente crescer para se manter competitivo nas pesquisas.
Com informações são do blog de Isabel Mega, do CNN.