31 de julho de 2025

Um mês após naufrágio em SP, sobrevivente relata que ainda tem pesadelos e busca por recomeço

Em entrevista ao g1, a jovem relatou enfrentar episódios de insônia, pesadelos frequentes e até o pavor de entrar em contato com a água

Por Redação
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Em entrevista ao g1, a jovem relatou enfrentar episódios de insônia, pesadelos frequentes e até o pavor de entrar em contato com a água - Foto: Reprodução

Passado um mês desde que foi resgatada com vida após passar cerca de 42 horas à deriva no mar de Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo, Bruna Damaris Sant'Anna da Silva tenta reconstruir sua rotina enquanto lida com as profundas sequelas psicológicas do trauma. Em entrevista ao g1, a jovem relatou enfrentar episódios de insônia, pesadelos frequentes e até o pavor de entrar em contato com a água, o que transformou o ato de tomar banho em um grande desafio nos primeiros dias pós-acidente.

Nativa de São Sebastião, Bruna precisou recorrer a acompanhamento psiquiátrico e psicológico para iniciar sua reabilitação emocional. A recuperação da autoestima também tem sido um processo gradual, marcado por cuidados estéticos para suavizar as marcas físicas causadas pela longa exposição ao sol e à água salgada. Embora mantenha uma forte ligação histórica com o oceano, ela admite que sua relação com a praia mudou drasticamente e que não pretende voltar a nadar no mar tão cedo.

Rede de apoio e o sentimento de culpa


Para Bruna, a presença contínua da namorada, de amigos e de familiares tem sido o pilar que impede seu isolamento e a dependência severa de medicamentos. Além do estresse pós-traumático, a jovem precisou processar o luto e o sentimento de culpa por ter se separado de Dheorge Pereira Bernardino durante o naufrágio para tentar buscar socorro. O corpo de Dheorge foi localizado pelas autoridades no dia 1º de junho, tendo o afogamento confirmado como a causa do óbito.

Hoje, após o período de reestruturação mental, Bruna avalia que a decisão de nadar em busca de ajuda foi necessária para a sobrevivência de ambos, embora apenas ela tenha resistido.

Passos rumo ao recomeço e colaboração com a polícia


O processo de retomada envolve pequenas vitórias cotidianas. Nas últimas semanas, a sobrevivente voltou a realizar atividades simples, como assistir a séries e cozinhar — inclusive preparando camarões que ganhou de presente dos mesmos pescadores responsáveis por retirá-la do mar no terceiro dia de buscas.

Com o avanço das investigações sobre o caso, Bruna confirmou que já prestou todos os depoimentos e esclarecimentos necessários à Polícia Civil. Ela ressaltou que, diferentemente das primeiras declarações dadas logo após o resgate, quando ainda se encontrava desorientada pelo esgotamento físico, hoje se sente em paz para seguir em frente.