31 de julho de 2025
preocupação

Temperaturas altas são desafio dentro e fora de campo na Copa do Mundo

Calor durante partidas geram preocupação e motivam medidas para reduzir riscos à saúde durante o torneio

Por Redação
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Competição conta com interrupções para hidratação - Foto: Reprodução

O confronto entre Brasil e Escócia, realizado nesta quarta-feira (24) pela última rodada do Grupo C da Copa do Mundo, chamou atenção não apenas pelo resultado em campo, mas também pelas condições climáticas. No início da partida, disputada em Miami, nos Estados Unidos, os termômetros marcavam cerca de 30°C, mesmo no fim da tarde e início da noite no horário local.

O cenário já era esperado por pesquisadores que estudam os impactos do clima sobre eventos esportivos. Um levantamento da Queen's University Belfast apontou que 14 das 16 cidades-sede da Copa do Mundo, realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, podem registrar níveis de calor capazes de representar riscos à saúde. O estudo utilizou dados meteorológicos coletados ao longo de duas décadas.

Outro relatório, divulgado antes do início da competição pela World Weather Attribution Initiative (WWA), destacou preocupações relacionadas às partidas disputadas em regiões dos Estados Unidos e do México. Segundo os pesquisadores, a combinação entre altas temperaturas e umidade pode aumentar os riscos para atletas durante os jogos.

A Federação Internacional de Associações de Futebolistas Profissionais (FIFPro) recomenda a realização obrigatória de pausas para hidratação em partidas disputadas a partir de 30°C. Em situações com temperaturas mais elevadas, a entidade orienta a interrupção ou até o adiamento dos confrontos para preservar a segurança de jogadores, comissões técnicas, árbitros e torcedores.

Estudos também indicam que a edição atual da Copa do Mundo pode registrar mais partidas disputadas sob calor intenso do que o torneio realizado nos Estados Unidos em 1994. A expectativa é de um número maior de confrontos realizados em temperaturas acima dos limites considerados de atenção por especialistas.

Na próxima fase da competição, o Brasil enfrentará o segundo colocado do Grupo F, que pode ser Holanda, Japão ou Suécia. A partida será disputada em Houston, com início previsto para o período da tarde. A previsão aponta temperatura próxima dos 33°C no momento do jogo. O estádio escolhido para receber o confronto possui teto retrátil e sistema de climatização.

Em resposta às preocupações relacionadas ao calor, a Fifa informou que adotou medidas para reduzir os riscos durante a competição. Entre elas está a pausa obrigatória para hidratação em todas as partidas do torneio, independentemente das condições climáticas. A interrupção ocorre em cada tempo de jogo e tem como objetivo permitir a reposição de líquidos pelos atletas.

A medida, no entanto, gera debates entre profissionais do futebol e especialistas. Enquanto parte dos jogadores considera a pausa suficiente, pesquisadores defendem períodos maiores para hidratação e resfriamento corporal. Em manifestações públicas, cientistas argumentam que o tempo atualmente adotado pode não ser suficiente para reduzir os efeitos do calor sobre o organismo.

Além dos impactos dentro dos estádios, especialistas alertam para os riscos enfrentados por torcedores em áreas externas, transmissões públicas e celebrações relacionadas aos jogos. O tema tem sido acompanhado por entidades esportivas e pesquisadores diante das condições registradas durante a Copa do Mundo.