31 de julho de 2025
Na mira do MP

Investigação sobre bets quer saber se Neymar e Virginia induziram seguidores a erro

Inquérito civil mira casa de apostas após 42 mil denúncias e avalia se discursos de "renda extra" configuram publicidade enganosa; multa pode chegar a R$ 120 milhões

Por Redação
Publicado em
MP quer saber se Neymar e Virginia induziram seguidores a erro - Foto: Reprodução

A 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) deu um passo contundente na investigação sobre as práticas comerciais das grandes plataformas de apostas e cassinos online no Brasil. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) solicitou formalmente a cópia de todos os contratos de publicidade firmados entre a empresa e seus principais garotos-propaganda, incluindo o jogador Neymar Jr. e a influenciadora Virginia Fonseca.

O objetivo do órgão controlador é analisar minuciosamente as estratégias de marketing desenhadas pela plataforma. A promotoria quer avaliar se o formato das campanhas — especialmente aquelas que utilizam expressões associadas à promessa de "renda extra" — configura publicidade enganosa e abusiva ao induzir os internautas a uma falsa percepção de ganhos garantidos.

O MPDFT fez questão de esclarecer que Neymar Jr. e Virginia Fonseca não são investigados no processo. A mira está apontada exclusivamente para a conduta da empresa de apostas. Os contratos dos influenciadores Lucas Lira e Bruna Sunaika também foram exigidos na mesma peça jurídica.

Retenção de dinheiro e avalanche de reclamações

A abertura do inquérito civil público, formalizada na última sexta-feira (19), foi motivada por um colapso no atendimento e na confiabilidade da plataforma. O órgão identificou uma retenção sistemática de fundos financeiros de usuários sob justificativas genéricas e sem transparência.

O tamanho do problema é medido pelos seguintes dados:

  • Volume de queixas: Mais de 42 mil reclamações formais registradas contra a casa de apostas.
  • Principais problemas: Bloqueio de saques, imposição de cláusulas contratuais consideradas abusivas e falta de suporte.
  • Punição prevista: O Ministério Público sinalizou que o avanço das irregularidades pode resultar em uma ação civil pública com pedido de indenização por danos morais coletivos estimada em R$ 120 milhões.

A ofensiva jurídica ocorre em um momento de debate nacional sobre a regulamentação do mercado de bets. A investigação do MPDFT pretende estabelecer um teto rígido sobre como as empresas do setor podem se promover, coibindo discursos que transformem jogos de azar em supostas ferramentas de investimento ou previdência pessoal para o público jovem.