31 de julho de 2025
CALOR EXTREMO

O que é o “domo de calor” que provoca temperaturas recordes e mortes na Europa

Fenômeno atmosférico impulsiona onda de calor com máximas acima de 40°C em vários países e reforça alertas sobre os efeitos das mudanças climáticas

Por Redação
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Fenômeno atmosférico impulsiona onda de calor com máximas acima de 40°C em vários países e reforça alertas sobre os efeitos das mudanças climáticas - Foto: Getty Images

Uma intensa onda de calor que atinge diversos países da Europa tem provocado temperaturas acima dos 40°C, fechamento de escolas, alertas máximos das autoridades e ao menos 40 mortes por afogamento na França. No centro desse cenário está um fenômeno meteorológico conhecido como “domo de calor”.

Segundo especialistas, o domo de calor funciona como uma espécie de tampa atmosférica que aprisiona uma grande massa de ar quente sobre uma determinada região por vários dias. O resultado é um aumento contínuo das temperaturas, com pouca formação de nuvens e forte incidência de radiação solar.

A atual onda de calor afeta principalmente países da Europa Ocidental e Central, como França, Espanha, Reino Unido, Itália, Suíça e Alemanha. Em algumas regiões espanholas, os termômetros podem alcançar até 44°C, enquanto a França registrou nesta semana o dia mais quente de sua história, com 44,3°C na localidade de Pissos.

Na França, mais da metade do território está sob alerta vermelho para calor extremo. As altas temperaturas também contribuíram para a morte de pelo menos 40 pessoas por afogamento nos últimos dias. De acordo com autoridades francesas, muitas vítimas tentavam se refrescar em rios e canais sem supervisão.

Como se forma o domo de calor

Especialistas explicam que o fenômeno começa quando uma massa de ar muito quente, geralmente originada no norte da África, avança em direção ao continente europeu. Ao chegar à região, esse ar fica preso sob um sistema de alta pressão atmosférica, conhecido como anticiclone africano.

Essa alta pressão comprime o ar e impede sua circulação vertical, fazendo com que ele aqueça ainda mais. Ao mesmo tempo, a barreira atmosférica dificulta a formação de nuvens e reduz a ocorrência de chuvas, intensificando o calor na superfície.

De forma simplificada, o domo atua como uma tampa que impede a dispersão do calor acumulado.

Mudanças climáticas ampliam os efeitos

Embora o domo de calor seja um fenômeno natural, cientistas afirmam que as mudanças climáticas tornam seus impactos mais severos.

Dados meteorológicos mostram que as ondas de calor estão se tornando mais frequentes, mais intensas e mais duradouras. Na França, por exemplo, mais da metade das ondas de calor registradas desde 1947 ocorreram após o ano 2000.

Segundo pesquisadores, o aquecimento global causado pela emissão de gases de efeito estufa cria condições favoráveis para temperaturas cada vez mais elevadas. Atualmente, o planeta está cerca de 1,4°C mais quente do que no final do século XIX.

Especialistas alertam que, caso as emissões globais não sejam reduzidas, novos recordes de temperatura deverão ser registrados nas próximas décadas, aumentando os riscos para a saúde pública, o abastecimento de água, a agricultura e a infraestrutura urbana.

Além dos impactos imediatos, como internações e mortes relacionadas ao calor, eventos extremos desse tipo também elevam o risco de incêndios florestais e pressionam os sistemas de energia em diversos países europeus.