Keiko Fujimori abre vantagem irreversível e fica a um passo da Presidência do Peru
Conservadora supera rival de esquerda por mais de 43 mil votos; resultado oficial ainda depende de confirmação da autoridade eleitoral
Publicado em
A candidata conservadora Keiko Fujimori ficou muito próxima de conquistar a Presidência do Peru após abrir uma vantagem considerada matematicamente irreversível na apuração do segundo turno das eleições presidenciais. Com 99,8% das urnas contabilizadas, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori aparece com 50,11% dos votos válidos, contra 49,88% do candidato de esquerda Roberto Sánchez.
Segundo os dados divulgados pela Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), a diferença entre os dois candidatos chegou a 43.386 votos, enquanto restavam apenas 40.213 votos a serem contabilizados, cenário que torna improvável uma mudança no resultado final.
Apesar da vantagem consolidada, a autoridade eleitoral peruana ainda não proclamou oficialmente a vencedora. A previsão é que a confirmação formal ocorra apenas em meados de julho, após a conclusão da análise de recursos e votos contestados.
A disputa presidencial foi marcada por uma das menores diferenças da história recente do país e por questionamentos apresentados pela campanha de Sánchez. O candidato de esquerda alegou a existência de irregularidades no processo eleitoral, mas não apresentou provas públicas que sustentassem as acusações. Entre os pedidos feitos por sua equipe estava a anulação de milhares de votos registrados no exterior, medida rejeitada pelo júri eleitoral peruano.
Caso a vitória seja confirmada, Keiko Fujimori chegará à Presidência em sua quarta tentativa eleitoral. Derrotada nas eleições de 2011, 2016 e 2021, a líder conservadora conseguiu ampliar sua base eleitoral ao defender uma agenda focada no combate à criminalidade e na retomada da estabilidade institucional.
Durante a campanha, Fujimori também reforçou sua ligação com o legado político do pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000. Condenado por violações de direitos humanos e corrupção, Alberto passou 16 anos preso, mas continua sendo uma figura influente entre setores do eleitorado peruano.
A futura presidente herdará um cenário de forte instabilidade institucional. Nos últimos oito anos, o Peru teve oito presidentes diferentes, reflexo de sucessivas crises políticas, processos de impeachment, renúncias e disputas entre Executivo e Congresso.
Além das turbulências políticas, o país enfrenta desafios econômicos e sociais significativos, incluindo desigualdades regionais, crescimento da violência urbana e aumento das extorsões praticadas por organizações criminosas.