59% dos brasileiros defendem classificar PCC e CV como terroristas, diz Datafolha
Embora respaldem medida adotada pelos Estados Unidos, 74% dos entrevistados rejeitam qualquer tipo de ingerência ou intervenção norte-americana em solo nacional.
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Uma pesquisa inédita do Instituto Datafolha divulgada nesta terça-feira (23) revela que 59% dos brasileiros apoiam a classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O enquadramento foi adotado oficialmente pelo governo dos Estados Unidos no fim de maio, sob a justificativa de que a atuação transnacional dos grupos afeta diretamente a segurança interna americana.
A medida de Washington ocorreu à revelia do Palácio do Planalto, já que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou contrariedade à época. O levantamento capturou a percepção popular diante do impasse diplomático e de segurança pública.
O Datafolha questionou os entrevistados se concordavam com o rótulo de terroristas para as facções. Os resultados detalhados apontam:
- Concorda totalmente: 45%
- Concorda em parte: 14%
- Discorda totalmente: 22%
- Discorda em parte: 11%
- Não sabe / Não concorda nem discorda: 8%
Soberania nacional em primeiro lugar
Se por um lado a população valida o diagnóstico de que as facções operam com métodos terroristas — como ataques a civis e servidores —, por outro, há um forte limite imposto em relação à soberania do país.
O levantamento identificou que 74% dos eleitores consultados (três em cada quatro entrevistados) posicionam-se terminantemente contra qualquer tipo de ingerência ou atuação direta das forças de segurança dos Estados Unidos em território brasileiro para combater esses grupos sem o aval explícito do governo nacional.
A pesquisa Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 17 e 18 de junho em todo o país. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o levantamento está devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.