31 de julho de 2025
investigação

Curto-circuito na segurança: O que se esconde por trás do depoimento de 5 minutos de Bolsonaro à polícia

Versão relâmpago de que "apenas pediu para checar falha" tenta abafar que equipe de proteção desarmou o ex-presidente secretamente por receio de surto psicológico.

Por Redação
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Bolsonaro depôs por 5 minutos e repetiu que queria 'consertar' arma apreendida em blitz, diz defesa - Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

O depoimento de apenas cinco minutos de Jair Bolsonaro à Polícia Civil do Distrito Federal, nesta terça-feira (23), funcionou como uma operação de contenção de danos para tentar desviar o foco do fator mais alarmante do inquérito: o desarmamento secreto do ex-presidente por sua própria equipe de segurança, motivado pelo temor de um colapso em sua saúde mental.

Ao repetir em tempo recorde a versão de que apenas pediu a um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para "averiguar o funcionamento" de sua pistola Glock 9mm, Bolsonaro tentou reduzir o episódio a uma mera falha mecânica corriqueira. A estratégia da defesa busca esvaziar a acusação de crime pelo Estatuto do Desarmamento e blindar a manutenção de sua prisão domiciliar humanitária no STF.

O que o depoimento relâmpago tenta camuflar, no entanto, é a grave crise na guarda do político, detalhada pela própria defesa em petição enviada ao ministro Alexandre de Moraes:

  • Desarmamento por segurança: Os assessores militares retiraram o percussor da pistola — peça fundamental para o disparo —, tornando-a um "peso de papel", sem que o ex-presidente soubesse.
  • Coquetel psiquiátrico: A medida drástica foi tomada porque fortes medicações psiquiátricas estavam afetando a cognição de Bolsonaro, gerando um estado de vulnerabilidade que acendeu o alerta vermelho na equipe.
  • O fantasma do ferro de solda: O temor dos militares baseia-se no histórico recente. Em novembro de 2025, sob efeito de forte "paranoia" medicamentosa, o ex-presidente usou um ferro de solda para tentar destruir a própria tornozeleira eletrônica.

Ao descobrir que a arma não funcionava, Bolsonaro acionou o GSI para o suposto conserto, desencadeando a sequência de erros que terminou com a apreensão da pistola sem documentos em uma blitz em Brasília.

Agora, a pressa de Bolsonaro em falar por apenas cinco minutos reflete o tamanho do incômodo: mais do que o transporte irregular da Glock, o que está exposto no processo é o diagnóstico de que o ex-presidente já não era considerado seguro pela sua própria escolha oficial para portar uma arma de fogo.