Operação Miragem: Crise que envolve banco de Edir Macedo e rombo de R$ 500 milhões começou no início do ano
A crise escalou após uma disputa judicial com o empresário Roberto Campos Marinho Filho
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Alvo da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (23), o Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, já vinha enfrentando uma severa turbulência jurídica e financeira. A crise escalou após uma disputa judicial com o empresário Roberto Campos Marinho Filho, sócio da instituição e dono da Yards Capital, que alega um prejuízo de quase R$ 500 milhões.
Marinho Filho acionou a Justiça para contestar a aceitação de títulos emitidos pelas empresas Fictor, Reag e pelo Banco Master como lastro no fundo de investimento EXP 1, gerido pela Yards. O Digimais detém 80% das cotas desse fundo. O valor de mercado desses papéis despencou após o avanço de investigações do Banco Central (BC) sobre fraudes generalizadas envolvendo as três empresas emissoras.
Diante do colapso dos ativos, a Yards Capital notificou judicialmente o Digimais, exigindo que o banco de Edir Macedo recomprasse a carteira de ativos pelo valor de R$ 462,2 milhões para transferir o risco financeiro. Desse total, R$ 316,6 milhões estavam concentrados em títulos do Banco Master e da Reag, e R$ 145,6 milhões em papéis da Fictor.
O efeito dominó na Faria Lima
O rombo no Digimais é o reflexo de um efeito dominó que atingiu o coração financeiro de São Paulo após operações da Polícia Federal e punições do Banco Central:
- Reag: Alvo da Operação Carbono Oculto (por ocultação de patrimônio do crime organizado) e da Operação Compliance Zero (por movimentações suspeitas com o Banco Master). A gestora foi liquidada pelo Banco Central em 15 de dezembro do ano passado.
- Banco Master: Teve sua liquidação decretada pelo BC em novembro de 2025, um dia após o anúncio de sua venda, culminando na prisão de seus principais executivos.
- Fictor: Havia anunciado a compra do Banco Master por R$ 3 bilhões. Com a subsequente liquidação do banco e a debandada de investidores, a Fictor sofreu uma crise de liquidez e entrou com pedido de recuperação judicial em janeiro deste ano.
Histórico de insolvência e socorro da Igreja Universal
A saúde financeira do Banco Digimais já inspirava cuidados muito antes da operação da PF. Relatórios de auditoria de 2024 e 2025 apontavam que o banco cambaleava devido aos altos índices de inadimplência acumulados desde a pandemia.
Para evitar uma quebra técnica, a instituição dependia de aportes financeiros recorrentes do próprio Edir Macedo. Em 2025, sob a supervisão do Banco Central, o banco passou por um processo de reestruturação e chegou a negociar sua venda para o investidor Mauricio Quadrado, ex-sócio do Banco Master, mas a transação não prosperou.
Mesmo em meio à crise cambaleante, o banco havia recebido aval do governo de Tarcísio de Freitas, em São Paulo, para operar linhas de crédito consignado para a Polícia Militar. A nova fase de investigações da Polícia Federal complica ainda mais a sobrevivência operacional da instituição.