Banco Digimais, ligado ao grupo de Edir Macedo, diz ter 150 mil clientes e R$ 1 bi de empréstimos
Investigação apura supostas irregularidades contábeis, operações financeiras e manipulação de dados em instituição financeira
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O Banco Digimais, instituição financeira ligada ao grupo do bispo Edir Macedo, informou já ter ultrapassado a marca de R$ 1 bilhão em operações de crédito. Segundo dados divulgados pela própria instituição, o banco possui mais de 145 mil clientes em diferentes regiões do país.
Levantamentos divulgados no segundo semestre de 2025 apontam que cerca de 70% da base de clientes está concentrada na região Sudeste. Os dados também mostram que as mulheres representam 63,1% do total de correntistas da instituição.
O banco iniciou suas atividades em 1981. Em 2009, passou a manter associação com o Grupo Record. Em 2020, a instituição foi adquirida pelo grupo de comunicação. No ano passado, o Banco Digimais deu início às operações de crédito consignado. Atualmente, sua carteira de crédito é composta principalmente por financiamentos de veículos, que representam 52% do total, e crédito consignado, com participação de 42%.
A instituição também mantém convênios para operações de crédito consignado com órgãos públicos. Entre eles estão a Prefeitura de São Paulo e o Governo de São Paulo, que correspondem a parte da carteira de convênios do banco. Ao todo, a instituição informa possuir mais de 69 convênios públicos.
Na manhã desta terça-feira (23), o Banco Digimais foi alvo da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal. A ação tem como objetivo investigar um suposto esquema relacionado a crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Mais de 50 policiais federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal em São Paulo. A decisão também determinou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além do bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 670,3 milhões.
Segundo a Polícia Federal, relatórios produzidos pelo Banco Central apontaram indícios de irregularidades na condução dos negócios da instituição. As investigações apuram suspeitas de manipulação de balanços e resultados contábeis para ocultar a situação financeira do banco perante órgãos de fiscalização.
Os investigadores também analisam a possibilidade de supervalorização de ativos e geração de receitas por meio de registros contábeis. Além disso, são apuradas operações financeiras que teriam beneficiado a empresa controladora da instituição e a eventual inserção de informações incorretas em sistemas utilizados pelo órgão regulador.
O caso segue sob investigação e, até o momento, as autoridades continuam reunindo documentos e informações para esclarecer os fatos apurados na operação.