Banco Digimais, alvo da PF, foi autorizado a oferecer consignado para PMs de São Paulo
Instituição controlada por Edir Macedo firmou convênio com o governo paulista mesmo enfrentando prejuízos milionários
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O Banco Digimais, alvo de uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta terça-feira (23), foi autorizado pelo Governo de São Paulo a oferecer empréstimos consignados para policiais militares mesmo em meio a um cenário de dificuldades financeiras enfrentado pela instituição.
A operação investiga supostas fraudes no sistema financeiro nacional e tem como um dos alvos o controlador do banco, o bispo Edir Macedo. Segundo a Polícia Federal, há indícios de manipulação de informações contábeis e geração artificial de receitas para apresentar uma situação financeira mais favorável do que a realidade.
O convênio com o governo paulista foi publicado em setembro de 2025 e tem validade até 2030. A medida permitiu que o banco passasse a operar empréstimos consignados para os integrantes da Polícia Militar do Estado de São Paulo, universo que reúne mais de 80 mil policiais da ativa.
Na modalidade consignada, as parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento do servidor, o que reduz os riscos de inadimplência e possibilita taxas de juros menores em comparação com outras linhas de crédito.
Na época da assinatura do acordo, o Banco Digimais já enfrentava dificuldades financeiras. Relatórios divulgados entre 2024 e 2025 apontavam elevados índices de inadimplência e a necessidade de aportes financeiros constantes para manter a instituição em funcionamento. Os recursos teriam sido injetados pelo próprio controlador do banco.
Dados financeiros indicavam que o prejuízo acumulado da instituição já alcançava cerca de R$ 250 milhões quando o convênio foi firmado. Em fevereiro deste ano, as perdas teriam se aproximado de R$ 500 milhões.
Em nota divulgada anteriormente, a São Paulo Previdência (SPPREV) informou que atua apenas como responsável pelo processamento dos descontos em folha de pagamento autorizados pelos beneficiários e destacou que não participa da celebração dos contratos nem interfere nas condições oferecidas pelas instituições financeiras credenciadas.
A autarquia também afirmou que o credenciamento das empresas ocorre mediante o cumprimento dos requisitos legais e regulamentares previstos na legislação, sem análise de mérito sobre produtos financeiros ou estratégias comerciais adotadas pelas instituições.