31 de julho de 2025
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Entenda como Deolane Bezerra entrou na mira de investigação sobre PCC

Justiça aceita denúncia do Ministério Público; investigação aponta movimentação superior a R$ 140 milhões e cita familiares, empresas e integrantes da facção

Por Redação
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Deolane Bezerra é alvo de uma investigação que apura lavagem de dinheiro ligada ao PCC - Foto: Reprodução/Instagram

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público e tornou ré a influenciadora e advogada Deolane Bezerra pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa em investigação relacionada ao Primeiro Comando da Capital. A decisão foi proferida pela 3ª Vara de Presidente Venceslau e também inclui outros denunciados apontados pela acusação como integrantes de um esquema de movimentação financeira ligado à organização criminosa.

Segundo o Ministério Público, as investigações tiveram início após a apreensão de cartas na Penitenciária Maurício Henrique Guimarães Pereira, em Presidente Venceslau, em 2019. Os documentos continham referências a operações atribuídas ao PCC e a um projeto de expansão internacional do tráfico de drogas. A partir da análise do material, investigadores passaram a apurar pessoas e empresas supostamente utilizadas para ocultar recursos oriundos de atividades ilícitas.

Entre os denunciados estão Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho, além de familiares e do operador financeiro apontado pela investigação, Everton de Souza. As autoridades afirmam que o grupo teria utilizado empresas para movimentar valores e ocultar a origem dos recursos.

A investigação também cita transferências bancárias realizadas entre integrantes do esquema e contas ligadas a Deolane. Conforme os autos, a influenciadora teria recebido depósitos identificados durante a análise de aparelhos celulares apreendidos em operações policiais. O Ministério Público sustenta que essas movimentações fazem parte de uma estrutura financeira utilizada para lavagem de capitais.

Relatórios financeiros anexados ao processo apontam aumento nas movimentações bancárias de Deolane, de empresas vinculadas a ela e de familiares. Segundo a acusação, o conjunto de créditos e débitos analisados supera R$ 140 milhões. O documento também menciona depósitos sem identificação da origem, transferências entre empresas do grupo e operações consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados.

Entre as empresas citadas na investigação estão Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda., Deolane Bezerra Comércio e Serviços Ltda. e Bezerra Produções Artísticas Ltda. O Ministério Público afirma que as companhias integrariam uma estrutura utilizada para circulação de recursos. A defesa ainda terá oportunidade de apresentar esclarecimentos durante a fase de instrução processual.

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, policiais recolheram veículos, relógios, joias, dinheiro em espécie, documentos empresariais e aparelhos eletrônicos. Um dos documentos apreendidos descrevia planejamento corporativo envolvendo reorganização societária e expansão empresarial, incluindo a previsão de operações internacionais.

O Ministério Público também destacou movimentações financeiras envolvendo familiares de Deolane e empresas registradas em seus nomes. Segundo os investigadores, parte dos recursos teria sido distribuída por meio de diversas transferências realizadas para pessoas físicas e jurídicas ligadas ao núcleo familiar.

A defesa de Deolane solicitou a revogação da prisão preventiva e a substituição por prisão domiciliar, alegando que ela é responsável pelos cuidados de uma filha menor de idade. O pedido foi negado. De acordo com a decisão judicial, os fundamentos da prisão permanecem válidos para a continuidade do processo.

Com o recebimento da denúncia, a ação penal entra na fase de instrução. A defesa dos réus será intimada para apresentar resposta formal à acusação. Em seguida, a Justiça deverá realizar audiências para ouvir testemunhas e interrogar os acusados antes do julgamento.