Lula e Jaques Wagner devem discutir permanência na liderança do governo após operação da PF
Encontro previsto para esta semana ocorre em meio à pressão política e investigações que atingiram o senador baiano
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá se reunir nos próximos dias com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), para discutir sua permanência no cargo após a nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (19).
A investigação colocou o senador baiano no centro de uma crise política que passou a preocupar o Palácio do Planalto e lideranças do Partido dos Trabalhadores. Nos bastidores, cresce a pressão para que o governo apresente uma resposta diante das apurações, enquanto aliados divergem sobre a permanência de Wagner na liderança governista.
Segundo interlocutores do Planalto, o encontro entre Lula e Jaques Wagner dependerá da agenda presidencial nesta semana. Após compromissos oficiais no Rio de Janeiro e em São Paulo, a expectativa é de que o presidente se reúna com o senador em Brasília para avaliar os impactos políticos da operação e definir os próximos passos.
Pressão interna e cálculo eleitoral
Apesar das especulações sobre uma possível substituição, Jaques Wagner tem resistido à ideia de deixar a liderança do governo. O senador afirmou publicamente que não pretende pedir afastamento do cargo e destacou que Lula não mencionou essa possibilidade durante conversa telefônica realizada após a operação.
Nos bastidores, um dos argumentos favoráveis à permanência de Wagner é o cenário eleitoral na Bahia. O senador pretende disputar a reeleição este ano e aparece entre os principais nomes da disputa pelas duas vagas que estarão em jogo para o Senado.
Aliados avaliam que uma eventual saída da liderança poderia ser interpretada como enfraquecimento político e impactar não apenas sua candidatura, mas também o desempenho do PT baiano nas eleições.
Outro fator considerado é a relação histórica entre Lula e Jaques Wagner. O senador é um dos políticos mais próximos do presidente e já ocupou cargos estratégicos nos governos petistas, incluindo os ministérios do Trabalho, da Defesa, da Casa Civil e da Secretaria de Relações Institucionais.
Operação mira supostas vantagens indevidas
A Polícia Federal aponta indícios de que pessoas ligadas ao entorno familiar e empresarial do senador teriam recebido vantagens econômicas supostamente relacionadas ao Banco Master.
Durante a operação, agentes cumpriram mandados de busca em endereços vinculados ao parlamentar em Brasília e Salvador. Segundo a investigação, foram apreendidos cerca de US$ 55 mil, aproximadamente R$ 284 mil, além de 33 mil euros, o equivalente a cerca de R$ 196 mil, e relógios de alto valor.
A PF também investiga a aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões em Salvador, além de supostos benefícios como utilização de aeronaves particulares, ingressos para eventos internacionais e pagamentos destinados a empresas ligadas ao núcleo familiar do senador.
As suspeitas fazem parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master e empresários ligados à instituição financeira.
Liderança já enfrentava desgaste
Antes mesmo da operação, Jaques Wagner já enfrentava questionamentos internos relacionados à articulação política do governo no Congresso Nacional.
O principal episódio ocorreu durante a tentativa de aprovação do nome do então advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. O governo trabalhava com expectativa de vitória, mas a indicação acabou rejeitada pelo Senado, gerando críticas à condução política da articulação.
A derrota intensificou debates dentro da base governista sobre a necessidade de mudanças na estratégia política e no comando da articulação junto aos parlamentares.