Mesmo sob questionamentos e denúncias, Gilberto Gonçalves surge como aposta do MDB para a Câmara Federal
Ex-prefeito de Rio Largo rompeu com Arthur Lira, migrou para o grupo dos Calheiros e é apontado como possível candidato a deputado federal em 2026
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Enquanto uma denúncia envolvendo o Instituto Mãos que Acolhem tramita na Polícia Federal e volta a colocar seu grupo político sob os holofotes, o ex-prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves (MDB), avança nos bastidores para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026.
Após romper com o deputado federal Arthur Lira (PP), aliado histórico que destinou milhões de reais em recursos para Rio Largo ao longo dos últimos anos, Gilberto encontrou abrigo político no MDB do governador Paulo Dantas, do senador Renan Calheiros e do ministro dos Transportes, Renan Filho.
A mudança de partido não foi apenas uma troca de legenda. Ela representou uma mudança de campo político. Antes integrante da base de Arthur Lira, Gilberto passou a integrar o grupo que historicamente rivaliza com o presidente da Câmara em Alagoas.
Nos bastidores do MDB, o ex-prefeito é visto como um nome competitivo por comandar um dos maiores redutos eleitorais do estado. Rio Largo é o terceiro maior colégio eleitoral de Alagoas e continua sendo considerado a principal base política construída por Gilberto após dois mandatos consecutivos à frente da prefeitura.
Levantamentos internos realizados pelo MDB, segundo informações divulgadas pelo jornalista Edmilson Teixeira, apontaram desempenho eleitoral considerado satisfatório para uma eventual candidatura à Câmara Federal. O resultado teria sido determinante para aproximar ainda mais o ex-prefeito da direção estadual da legenda.
A aposta do MDB, no entanto, não ocorre sem desgaste político.
Gilberto Gonçalves já teve o nome associado a investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União durante sua passagem pela Prefeitura de Rio Largo. Em 2022, a Operação Beco da Pecúnia apurou suspeitas de desvios de recursos públicos federais destinados à saúde e à educação do município.
Agora, um novo episódio voltou a colocar o grupo político do ex-prefeito no centro das discussões.
Documentos obtidos com exclusividade pelo portal Francês News mostram que o Instituto Mãos que Acolhem recebeu R$ 6,55 milhões do Fundo Estadual de Saúde para execução do projeto "Saúde que Acolhe". O caso motivou uma denúncia apresentada à Polícia Federal pelo advogado Leonardo Silva.
A representação questiona a estrutura financeira da entidade, que declarou patrimônio social de apenas R$ 1 mil, e aponta supostas ligações políticas entre o instituto e o grupo liderado por Gilberto Gonçalves e pela deputada estadual Gabi Gonçalves, também filiada ao MDB.
Até o momento, não existe decisão judicial que atribua responsabilidade ao ex-prefeito ou à deputada em relação às alegações apresentadas na denúncia.
Mesmo diante das controvérsias, o MDB parece disposto a investir no potencial eleitoral de Gilberto Gonçalves.