Instituto ligado a grupo político do MDB recebeu R$ 6,5 milhões da Saúde mesmo declarando patrimônio de apenas R$ 1 mil
Documentos obtidos pelo Francês News mostram que entidade beneficiada por repasse milionário da Sesau é alvo de denúncia apresentada à Polícia Federal pelo advogado Leonardo Silva
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Documentos obtidos com exclusividade pelo portal Francês News revelam que o Instituto Mãos que Acolhem recebeu R$ 6.550.430,04 em recursos do Fundo Estadual de Saúde para execução do projeto "Saúde que Acolhe", mesmo apresentando patrimônio social declarado de apenas R$ 1.000,00 em suas demonstrações contábeis.
O material integra uma denúncia protocolada na Polícia Federal pelo advogado e ativista político Leonardo Silva, que questiona a estrutura da entidade, a destinação dos recursos públicos e uma suposta vinculação política do instituto ao grupo liderado pelo ex-prefeito de Rio Largo Gilberto Gonçalves (MDB) e pela deputada estadual Gabi Gonçalves (MDB).
Os documentos mostram que a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) aprovou, empenhou, liquidou e efetuou o pagamento integral dos recursos à entidade em abril de 2026. O projeto financiado prevê a realização de consultas especializadas, exames preventivos e ações de promoção da saúde.
O ponto que mais chama atenção na documentação é a situação patrimonial apresentada pelo próprio Instituto Mãos que Acolhem durante o processo de celebração da parceria. As demonstrações contábeis anexadas ao procedimento informam patrimônio social de apenas R$ 1 mil, inexistência de ativo imobilizado, ausência de financiamentos e inexistência de passivos relevantes.
Na representação encaminhada aos órgãos de investigação, Leonardo Silva sustenta que a entidade pode ter sido utilizada como uma espécie de estrutura criada ou reativada para captação de recursos públicos. Segundo os documentos, embora o CNPJ exista desde 1996, a atual diretoria assumiu a gestão apenas em agosto de 2025, poucos meses antes da celebração do convênio milionário com o Estado.

O ex-prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves (de preto) e a deputada estadual Gabi Gonçalves (de camiseta branca) em evento do Instituto Mãos Que Acolhem - Reprodução/Instagram
Ligação política é questionada
A denúncia também levanta questionamentos sobre a relação entre o Instituto Mãos que Acolhem e o grupo político da família Gonçalves, que exerce forte influência em Rio Largo.
Segundo a representação, embora a entidade possua endereço formal registrado às margens da BR-104, em Rio Largo, grande parte de suas atividades públicas estaria concentrada na chamada "Casa Amarela", imóvel apontado pelo denunciante como ligado ao grupo político de Gilberto Gonçalves e Gabi Gonçalves.
Outro elemento citado na denúncia envolve as redes sociais da associação. De acordo com os documentos apresentados à Polícia Federal, o perfil oficial do Instituto no Instagram seguia apenas duas contas: a do ex-prefeito Gilberto Gonçalves e a da deputada estadual Gabi Gonçalves. O denunciante afirma que nem mesmo a presidente formal da entidade aparecia entre os perfis seguidos pela organização.
Quem administra o instituto
Os documentos identificam Rejane Flor da Silva como presidente do Instituto Mãos que Acolhem e Gleide Maria da Silva Barros como diretora da entidade.
Durante o processo de formalização da parceria, a própria Sesau reconheceu Rejane Flor como representante legal da organização e concluiu que a entidade atendia às exigências previstas no Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil para receber recursos públicos.
Repasse efetivamente realizado
A documentação analisada pelo Francês News mostra que o valor de R$ 6.550.430,04 foi aprovado, empenhado, liquidado e posteriormente transferido para conta bancária vinculada ao instituto.
O recurso teve origem no Fundo Estadual de Saúde e foi destinado ao projeto "Saúde que Acolhe", voltado para ações de assistência médica e atendimento à população.

Operação da PF é citada na representação
A denúncia também menciona a Operação Beco da Pecúnia, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, que investigou supostos desvios de recursos públicos durante a gestão municipal de Rio Largo.
O documento utiliza esse contexto para defender a necessidade de aprofundamento das investigações sobre a origem, a aplicação e a fiscalização dos recursos destinados ao Instituto Mãos que Acolhem.
Até o momento, não há decisão judicial ou conclusão de órgãos de controle sobre as alegações apresentadas pelo denunciante. O espaço permanece aberto para manifestação do Instituto Mãos que Acolhem, da Secretaria de Estado da Saúde, do ex-prefeito Gilberto Gonçalves, da deputada estadual Gabi Gonçalves e dos demais citados na denúncia.