31 de julho de 2025

Operação do Ministério Público mira esquema de bets em PE, CE e SP

Por Paula Tabosa
Publicado em
Operação Conto da Sorte investiga esquema bilionário de apostas ilegais com atuação em Pernambuco e outros estados. - Foto: Reprodução

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) deflagrou, nesta quinta-feira (18), a Operação Conto da Sorte, que investiga um suposto esquema de exploração irregular de apostas online e lavagem de dinheiro com atuação em Pernambuco, Ceará e São Paulo. A ação contou com o apoio da Receita Federal, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado de Pernambuco (Gaeco/PE), além de promotores, policiais civis e militares e representantes do Ministério da Fazenda.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas cidades de Recife, Caruaru e Toritama, em Pernambuco; Fortaleza, no Ceará; e São Paulo e Iguape, no Estado de São Paulo.

Segundo as investigações, o grupo utilizava a Lotseridó, criada pela Prefeitura de Bodó, no Rio Grande do Norte, para dar aparência de legalidade a diversas plataformas de apostas que operavam em âmbito nacional. A apuração aponta indícios de crimes como lavagem de dinheiro, exploração de jogos de azar, associação criminosa, induzimento à especulação e crimes contra as relações de consumo.

De acordo com o MPRN, os investigados utilizavam técnicas para direcionar usuários a sites ilegais de apostas, incluindo invasões de sistemas de órgãos públicos e inserção de códigos em páginas com domínios governamentais e educacionais, transmitindo falsa credibilidade aos apostadores.

A investigação também revelou um expressivo crescimento patrimonial do grupo. Apenas uma das empresas envolvidas teria movimentado créditos de R$ 4,6 bilhões em 2025. Além disso, dados apontam que as plataformas arrecadaram cerca de R$ 415 milhões em apenas dez meses de funcionamento, gerando repasses de aproximadamente R$ 8,3 milhões ao município de Bodó.

Para ocultar a origem dos recursos e os verdadeiros controladores do esquema, os suspeitos teriam criado uma rede de empresas de fachada registradas em nome de pessoas de baixa renda, beneficiários de programas sociais e parentes dos organizadores. As investigações identificaram ainda que os líderes do grupo registraram 21 empresas em um mesmo endereço considerado fantasma na cidade de Bodó.

O trabalho contou com a atuação conjunta do MPRN, Receita Federal, Ministério da Fazenda, Ministérios Públicos de Pernambuco, São Paulo e Ceará, além do apoio operacional do Gaeco/PE e das forças policiais dos estados envolvidos.

Em novembro de 2025, a Justiça já havia determinado o bloqueio de R$ 145 milhões em bens e valores dos investigados, incluindo contas bancárias, aplicações financeiras, imóveis e veículos. As investigações seguem em andamento para identificar todos os envolvidos e dimensionar os prejuízos causados pelo esquema.