EUA e Irã assinam acordo de paz; cerimônia oficial será realizada na Suíça
Tratado prevê reabertura do Estreito de Ormuz e pode marcar o fim de meses de tensão no Oriente Médio
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Os Estados Unidos e o Irã assinaram eletronicamente nesta segunda-feira (15) o acordo que busca encerrar o conflito no Oriente Médio, segundo informações divulgadas por autoridades norte-americanas. O documento ainda será formalizado em uma cerimônia presencial marcada para a próxima sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça.
O tratado foi assinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo vice-presidente J.D. Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Qalibaf, que lidera a delegação de negociadores de Teerã. O governo norte-americano considera que Qalibaf possui autorização do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, para representar oficialmente o país nas negociações.
A assinatura presencial deve contar com a participação de J.D. Vance, embora ainda não tenham sido divulgados todos os nomes das autoridades que estarão presentes no encontro diplomático.
Entre os principais pontos do acordo está a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás natural. O texto também prevê o fim do bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos ao Irã e a abertura de negociações técnicas para aprofundar os termos do tratado.
Apesar da assinatura, questões sensíveis permanecem em aberto. O acordo prevê o alívio gradual das sanções econômicas e o descongelamento de ativos iranianos, mas essas medidas ainda não foram implementadas. O governo dos Estados Unidos informou que aguardará o cumprimento dos compromissos assumidos por Teerã antes de avançar nesse processo.
A desconfiança entre os dois países continua presente. Enquanto Trump afirmou que não pretende flexibilizar as sanções até que o Irã cumpra sua parte do acordo, o Ministério das Relações Exteriores iraniano declarou que ainda mantém uma “profunda desconfiança” em relação a Washington.
Outro ponto que gerou divergência envolve o Estreito de Ormuz. Trump declarou que o acordo prevê a isenção permanente de qualquer cobrança para a passagem de embarcações. Já o governo iraniano anunciou que pretende implementar taxas relacionadas a serviços de navegação, proteção ambiental e seguros marítimos, embora negue a criação de pedágios para o trânsito pelo canal.
Considerado uma das principais rotas comerciais do planeta, o Estreito de Ormuz concentra aproximadamente 20% do fluxo global de petróleo e gás, tornando qualquer mudança em sua operação um fator de impacto direto nos mercados internacionais.
O acordo foi mediado pelo Paquistão e surge após mais de três meses de confrontos e tensões na região. Segundo autoridades envolvidas nas negociações, novas rodadas de diálogo devem ocorrer nos próximos dias para definir os detalhes técnicos e a implementação das medidas previstas no tratado.