31 de julho de 2025
música

Morre Abdullah Ibrahim, ícone do jazz e símbolo da resistência ao apartheid

Pianista sul-africano tinha 91 anos e seguia em atividade; ele morreu na Alemanha após uma breve doença

Por Redação
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O legado de Abdullah Ibrahim o consolida como um dos maiores pianistas da história do jazz. - Foto: Reprodução/abdullahibrahim.co.za

Morreu nesta segunda-feira (15), aos 91 anos, o pianista e compositor sul-africano Abdullah Ibrahim, um dos nomes mais importantes do jazz mundial e símbolo da resistência ao regime do apartheid na África do Sul. Segundo a família, o músico faleceu na Alemanha, após uma breve doença.

Mesmo em idade avançada, Ibrahim permanecia em atividade e tinha apresentações previstas para 2026.

Nascido em 1934, na Cidade do Cabo, ele iniciou o contato com a música ainda na infância. Aos sete anos começou a estudar piano e, aos 15, já realizava apresentações profissionais. No início da carreira, ficou conhecido pelo nome artístico Dollar Brand.

Ao longo dos anos 1950, destacou-se na cena do jazz sul-africano e fundou o grupo Jazz Epistles, responsável pelo primeiro álbum de jazz gravado por músicos do país. Com o avanço do apartheid, deixou a África do Sul em 1962, ao lado da cantora Sathima Bea Benjamin, com quem mais tarde se casaria.

Durante a carreira internacional, foi descoberto por Duke Ellington, fato que impulsionou sua projeção mundial. Em 1974, lançou a composição “Mannenberg – Is Where It’s Happening”, considerada um hino não oficial da resistência negra ao apartheid.

Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Ibrahim lançou dezenas de álbuns, compôs trilhas sonoras para o cinema e se apresentou ao lado de grandes nomes do jazz mundial. Também esteve no palco da posse de Nelson Mandela, em 1994, reforçando seu papel como uma das figuras mais influentes da música sul-africana.

O legado de Abdullah Ibrahim o consolida como um dos maiores pianistas da história do jazz e uma referência cultural na luta contra a segregação racial na África do Sul.