31 de julho de 2025
MUNDO

Irã impõe 14 condições para acordo de paz com os EUA e exige fim das sanções e retirada militar

Teerã confirma avanço das negociações, mas condiciona tratado definitivo à liberação de bilhões em recursos bloqueados e ao encerramento de restrições econômicas

Por Redação
Publicado em
Irã apresentou uma série de exigências para avançar em um acordo de paz com os Estados Unidos após meses de conflito e negociações diplomáticas. - Foto: ChatGPT/Francês News

O governo do Irã apresentou uma lista de 14 exigências para avançar em um acordo de paz com os Estados Unidos, apesar do anúncio de entendimento feito pelo presidente Donald Trump e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. As condições foram divulgadas pela agência estatal iraniana Mehr e incluem o fim das sanções econômicas, a retirada de tropas americanas da região e a liberação de recursos financeiros bloqueados.

Entre os principais pontos apresentados por Teerã estão o encerramento permanente e imediato das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, além do compromisso dos Estados Unidos de não interferirem em assuntos internos iranianos e de respeitarem a soberania da República Islâmica.

O governo iraniano também exige a suspensão completa do bloqueio naval em até 30 dias, a retirada das forças militares americanas posicionadas nos arredores do país e a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.

Na área econômica, o Irã pede o fim das sanções sobre a venda de petróleo, derivados e produtos petroquímicos, além do acesso integral aos recursos financeiros atualmente bloqueados no exterior. Outra exigência é a criação de um plano de reconstrução econômica avaliado em pelo menos US$ 300 bilhões, a ser apresentado pelos Estados Unidos e seus aliados.

O memorando também prevê um período de 60 dias de negociações para a construção de um acordo definitivo. Durante esse prazo, Washington não poderia ampliar sua presença militar na região nem impor novas sanções ao país persa.

Outro ponto considerado fundamental por Teerã é a liberação de US$ 24 bilhões em recursos iranianos congelados. Segundo a proposta, metade desse valor deverá ser disponibilizada antes mesmo do início das negociações finais.

Em contrapartida, o Irã reafirma seu compromisso com o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e declara que não pretende desenvolver armas nucleares. O acordo definitivo deverá tratar exclusivamente de questões relacionadas ao enriquecimento de urânio, à suspensão das sanções e ao plano de reconstrução econômica, deixando de fora temas como o programa de mísseis iraniano e o apoio a grupos armados da região.

Anúncio do acordo

O entendimento foi anunciado neste domingo (14) por autoridades dos Estados Unidos, do Irã e do Paquistão. Em publicação nas redes sociais, o primeiro-ministro paquistanês afirmou que as partes concordaram com o encerramento imediato e permanente das operações militares e informou que a cerimônia oficial de assinatura está prevista para ocorrer em 19 de junho, na Suíça.

Donald Trump também comemorou o avanço das negociações e anunciou medidas relacionadas ao Estreito de Ormuz.

"O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído. Parabéns a todos", escreveu o presidente norte-americano.

Em outra publicação, Trump declarou que autorizou a retirada do bloqueio naval e a reabertura da importante rota marítima utilizada para o transporte global de petróleo.

Apesar do otimismo demonstrado por Washington e Islamabad, autoridades iranianas mantiveram cautela sobre a assinatura definitiva do memorando. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que a data ainda não estava confirmada, enquanto representantes do governo reforçaram que qualquer acordo dependerá do cumprimento prévio das condições apresentadas por Teerã.

Negociações após meses de conflito

O anúncio ocorre após quase quatro meses de confrontos e sucessivas escaladas militares envolvendo os dois países. Mesmo durante períodos de cessar-fogo, Estados Unidos e Irã continuaram trocando acusações e realizando ataques em áreas estratégicas do Oriente Médio.

Nos últimos dias, novos episódios de tensão foram registrados após incidentes envolvendo forças americanas na região do Estreito de Ormuz. A escalada chegou a provocar o fechamento temporário da rota marítima pelo governo iraniano, elevando preocupações sobre o abastecimento global de petróleo.

Agora, com o anúncio do entendimento e a apresentação das exigências iranianas, a expectativa internacional se concentra nos próximos passos das negociações que poderão definir um dos acordos diplomáticos mais relevantes dos últimos anos no Oriente Médio.