Senado aprova renegociação de dívidas rurais e governo alerta para impacto de até R$ 140 bilhões
Projeto cria linha especial de crédito para produtores afetados por eventos climáticos e crises internacionais; texto volta à Câmara após alterações
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O Senado aprovou nesta quarta-feira (10) um projeto que cria uma linha especial de crédito para renegociação de dívidas de produtores rurais atingidos por eventos climáticos extremos ou impactos econômicos decorrentes de conflitos internacionais. A proposta avançou mesmo sem o apoio do governo federal.
Como sofreu alterações durante a tramitação no Senado, o texto precisará retornar à Câmara dos Deputados antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A proposta é vista pelo governo como uma "pauta-bomba" devido ao impacto estimado sobre as contas públicas. Segundo o Ministério da Fazenda, o custo para o Tesouro Nacional poderá chegar a R$ 140 bilhões caso todos os produtores aptos adiram ao programa.
Governo tentou adiar votação
O tema foi levado ao plenário por iniciativa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apesar da resistência da equipe econômica.
Na véspera da votação, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reuniu-se com Alcolumbre para tentar evitar a apreciação de projetos considerados prejudiciais ao equilíbrio fiscal.
Horas antes da votação, o relator da matéria, Renan Calheiros, e a senadora Tereza Cristina participaram de uma reunião com o ministro.
Mesmo após reconhecer que o governo não apoiava o texto na forma apresentada, Alcolumbre decidiu manter a votação.
O que prevê o projeto
A proposta cria uma linha de financiamento subsidiada para renegociação de débitos do setor agropecuário.
As taxas de juros previstas são:
- 3,5% ao ano para beneficiários do Pronaf e pequenos produtores;
- 5,5% ao ano para médios produtores enquadrados no Pronamp;
- 7,5% ao ano para os demais produtores rurais.
Os financiamentos poderão chegar a:
- R$ 10 milhões por produtor;
- R$ 50 milhões para cooperativas e associações.
O prazo para pagamento será de até 10 anos, com carência de três anos.
Recursos virão do Fundo Social
O texto autoriza a utilização de recursos do Fundo Social, abastecido por receitas da exploração do petróleo do pré-sal, para custear os subsídios da operação.
Também poderão ser utilizados recursos dos fundos constitucionais de desenvolvimento das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além do Funcafé.
Segundo Renan Calheiros, o impacto fiscal da medida seria menor do que o estimado pela Fazenda, alcançando cerca de R$ 120 bilhões ao longo de dez anos, por se limitar às dívidas em atraso e não ao estoque total de débitos do setor.
Próximos passos
Além da renegociação, o projeto prevê a suspensão de cobranças judiciais e administrativas das dívidas abrangidas enquanto o produtor estiver contratando o financiamento.
Após eventual sanção da proposta, o Poder Executivo terá até 180 dias para apresentar ao Congresso Nacional um relatório detalhando os valores efetivamente contratados e as operações realizadas no programa.